AGRONEGÓCIO – Gafanhotos avançam em mais cidades gaúchas e governo estuda combate químico

Novos registros do inseto foram feitos em Bom Progresso, distante 44 km de Santo Augusto

Novos registros do inseto foram feitos em Bom Progresso, distante 44 km de Santo Augusto

ARNALDO TONELOTTO JÚNIOR/DIVULGAÇÃO/JC

Thiago Copetti

O avanço da infestação de gafanhotos para mais municípios no Interior do Rio Grande do Sul poderá exigir a pulverização química em algumas regiões. A aplicação pode ser necessária devido a condições climáticas favoráveis ao aumento do número de insetos, mas ainda esbarra em aprovação legal do Ministério da Agricultura e questões técnicas.

Além de São Valério do Sul e Santo Augusto, na região Celeiro do Estado, há relatos de infestações em Bom Progresso e Coronel Bicaco. Nas duas primeiras cidades, os insetos teriam atacado 5% de uma lavoura, de acordo com Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria de Agricultura do Estado.

Apesar de o Estado já estar preparado para uma ação desde junho, quando havia ameaça de ingressar na Fronteira Oeste a temida nuvem de Schistocerca cancellata, a infestação por aqui é de outra espécie. O tipo de gafanhoto que está no noroeste gaúcho é nativo e não migratório. São indivíduos adultos de Zoniopoda iheringi e ninfas de Chromacris specios, de acordo com a bióloga Kátia Matiotti, da PUCRS, e amostras de ambos estão sendo estudadas no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da UFSM, de acordo com a Secretaria da Agricultura.

Com isso, o Estado avalia qual químico que poderia ser adotado e a real necessidade. Felicetti destaca que o gafanhoto presente na região é menos agressivo e se alimenta basicamente das árvores, apesar de já ter alcançado e desfolhado algumas lavouras, mas sem grande dano econômico.

“Mas a estiagem e o calor favorecem a proliferação e estudamos a pulverização para dar tranquilidade ao produtor, e ao próprio ambiente, já que está havendo aumento da quantidade de gafanhotos e causando desequilíbrio”, explica Felicetti.

De acordo com técnicos da Emater/RS-Ascar que monitoram a presença de gafanhotos nas lavouras do Noroeste e a coleta de amostras desses insetos para análise, a grande concentração ainda é em áreas de mato, em aproximadamente 60 hectares.

“Eles parecem preferir se alimentar das folhas de uma árvore da região, o Timbó”, avalia João Schommer, agrônomo da Emater na região Celeiro.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Augusto, porém, Clovis Sequinatto, um combate com aviões agrícolas e defensivos químicos precisa ser adotado o mais rápido possível.

“Eles realmente estão principalmente na mata, mas o foco é muito grande e se expandindo. O medo é que migrem para as lavouras de soja e milho”, alerta Sequinatto.

Presidente da Assembleia Legislativa e natural da região Noroeste do Estado, o deputado Ernani Polo também tenta, junto ao Ministério da Agricultura, a liberação emergencial de determinados princípios ativos para o combate mais direcionado a espécie identificada na região. A aplicação poderia tanto ser aérea ou com pulverizadores mecânicos em terra.

Fonte : Jornal do Comércio

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