Agronegócio evita desequilíbrio maior na balança comercial do Rio Grande do Sul

Exportações gaúchas de janeiro a abril têm resultado mais fraco desde 2009

Com importância crescente na pauta exportadora gaúcha, o agronegócio evitou um desequilíbrio ainda maior na balança ao conseguir um resultado de US$ 894 milhões, superior em 9% ao do primeiro quadrimestre do ano passado. O destaque foi a soja, que registrou exportações superiores em 34,3% em relação a igual período de 2019.

"Desde a abertura comercial, no início dos anos 1990, há uma commoditização da pauta exportadora brasileira, justamente porque não somos fortes em inovação e pesquisa.

O Brasil tem diiculdade de competir mundialmente, mesmo em setores industriais tradicionais que já tiveram importância no Estado, como vestuário e móveis", airma Bianca Martins Rockenbach, doutora em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e pesquisadora de comércio exterior.

Autora de tese sobre exportações de bens intensivos em trabalho, Bianca exempliica os obstáculos enfrentados por setores como o calçadista, por meio de uma comparação com países europeus. "Em termos de qualidade, nossos concorrentes são Itália e Alemanha. Esses países transferem suas linhas de produção para países asiáticos, onde a mão de obra é mais barata. As matrizes icam com a parte de qualidade, de diferenciação, de marca", sustenta.

Os números da série histórica, iniciada em 1997, espelham a perda de impulso das exportações de manufaturados e semimanufaturados.

No primeiro quadrimestre de 1997, a relação entre o setor e o de produtos básicos na pauta exportadora gaúcha era praticamente dois terços a um terço.

No primeiro quadrimestre de 1997, manufaturados e semimanufaturados somaram US$ 1,25 bilhão dos US$ 1,74 bilhão das exportações gaúchas, ou 68% do total. No mesmo período, os produtos básicos perizeram US$ 480,9 milhões, ou 28% do resultado. Este ano, a balança equilibrou-se: básicos somaram US$ 2,056 bilhões das exportações totais, e manufaturados e semimanufaturados, US$ 2,006 bilhões.

Embora a queda relita, em parte, o contexto criado pelo novo coronavírus, o impacto da pandemia deve ser relativizado. No primeiro quadrimestre, o Estado passou do primeiro caso detectado da Covid-19, em 28 de fevereiro, a 2.224 doentes, em 30 de abril. Medidas de restrição à atividade econômica e à circulação de pessoas foram adotadas, porém, apenas a partir da segunda quinzena de março.

Além dos primeiros relexos da pandemia na atividade produtiva do Estado, a queda capta parcialmente a desaceleração econômica nos principais destinos das exportações rio-grandenses, como China, Estados Unidos e Argentina. Os dois primeiros foram atingidos pela doença ainda em janeiro.

Os indícios de que o setor exportador gaúcho enfrenta diiculdades vem desde outubro de 2019, quando foi registrada a primeira de sete quedas mensais consecutivas nas exportações totais. Nesse intervalo, o Estado caiu do quarto para o sétimo lugar entre os 10 maiores estados exportadores. O fraco resultado do quarto trimestre do ano passado contribuiu para que as exportações totais fechassem 2019 em queda de 13,5% em relação ao ano anterior.

"Quando as economias vizinhas retomarem suas atividades e níveis de coniança, o Rio Grande do Sul deve recuperar, aos poucos, seus níveis de exportações industriais", estima Márcio Guerra, representante do Escritório Sul da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Fonte: Jornal do Comércio

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