AGRONEGÓCIO – Estiagem afeta a vindima e mata parreirais na serra gaúcha

Falta de chuva resseca frutos e muda a paisagem das plantações

Falta de chuva resseca frutos e muda a paisagem das plantações

Uvas secas, menores, com cachos menos fartos e uma parcela de parreirais que podem estar definitivamente perdidos. É esse o cenário vivido por parte dos produtores da serra gaúcha, como na região de Garibaldi. Para a vindima que se aproxima, o saldo da estiagem ainda é incerto, mas as projeções a partir dos danos atuais vão de 25% a 35% na queda da produção. O que poderia passar dos 40% caso o problema persista.

Presidente do Sindicado dos Trabalhadores Rurais de Garibaldi, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar, Luciano Rebellatto ressalta que os danos da recente falta chuva no Rio Grande do Sul incluem prejuízos de médio prazo, além da queda pontual da safra. Isso porque alguns produtores perderam uma parcela de suas parreiras.

“Neste caso, até que uma nova planta comece a produzir, levará três anos. Ou seja, além do custo de replantar, se for caso, tem os ganhos que não virão nesse esse período”, destaca Rebellatto.

O custo para replantar 25% de um hectare, por exemplo, pode girar em torno de R$ 10 mil, calcula o presidente do sindicato. Rebellatto leva em conta que o preço de uma muda fica em torno de R$ 8 reais, e que um hectare demande próximo de R$ 40 mil para receber 2 mil plantas. Ou seja, para repor 500 plantas se teria um custo direto de R$ 10 mil _ além da perda de receita gerada por essa parcela ao longo dos três anos seguintes.

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Custo do replantio é agravado pela perda da produção por três anos. Foto Luciano Rebellatto/Divulgação/JC

A morte de parreiras, porém, teria ocorrido onde geralmente o solo já tem problemas de retenção de água em áreas muito pedregosas. Neste acaso, destaca Henrique Pessoa dos Santos, pesquisador da área de fisiologia vegetal da Embrapa Uva e Vinho, o viticultor precisa avaliar se realmente aquela planta deve ser novamente semeada no mesmo local.

“Caso seja uma área grande, da qual não se possa abrir mão, além de replantar o produtor precisa pensar também em irrigação”, pondera Santos.

O pesquisador da Embrapa alerta, porém, que se para a safra, em termos de quantidade, a estiagem trouxe perdas, a qualidade da uva que chegar ao mercado e à indústria terá ganhos. Ao analisar o clima que impactou a safra de uva deste ano, começam ainda em agosto, Santos compara aos efeitos da seca de 2004 e 2005.

“Mas vale lembrar que aqueles anos também foram alguns dos melhores, pela qualidade da fruta, para a produção de vinhos”, diz Santos.

O pesquisador avalia que a colheita deste ciclo pode ter uma queda de 25% sobre uma safra máxima prevista de 750 milhões de toneladas _ ou seja, poderá ficar abaixo das 600 milhões de toneladas em 2020. Em parte, essa retração da disponibilidade poderia ser equilibrada com a elevação do preço pago ao produtor.

Para a indústria, a safra menor não chega a ser um problema. Isso porque os elevados estoques atuais asseguram a disponibilidade ao consumidor tanto de vinhos finos como de mesa, diz Hélio Marchioro diretor-executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho).

LUCIANO REBELLATTO/DIVULGAÇÃO/JC

Thiago Copetti

Fonte : Jornal do Comércio