Agronegócio deve olhar mais para a Ásia e avançar negócios com Reino Unido

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Brasil precisa acelerar a busca de acordos e correr atrás do que não foi feito nos últimos anos em termos de acordos de comércio exterior, especialmente com países asiáticos e com o Reino Unido. Lígia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da CNA, aponta que, nos dois casos, há carência de empenho brasileiro em fechar acordos tanto com o Reino Unido pós-Brexit (o que foi feito antecipadamente por outros países) quanto com diferentes nações asiáticas.

"O Brasil, salvo um acordo comercial bastante limitado com a Índia, e com quase nada de agrícola, não tem acordo com nenhum outro país asiático. E a Ásia representou 52% de tudo que o agronegócio exportou em 2020. Este é o caminho. Ainda que a China represente a maior parte dos embarques, há outros mercados relevantes, como Coreia do Sul, Japão, Vietnã. Já estávamos em situação de desvantagem grande e o RCEP amplia isso", alerta Lígia.

Em fase inicial, diz a executiva, há apenas um acordo entre Brasil e Coreia do Sul, o que pode avançar em 2021, e o governo também estaria com tratativas comerciais com a Indonésia e Vietnã, que priorizados igualmente trariam ganhos para a balança comercial do agro e ao Brasil como um todo, com o ingresso de divisas, geração de renda e empregos, acrescenta Ligia. Neste mesmo caminho, em 2021, dentro do projeto Agro.BR, a CNA inclusive ampliará sua presença na Ásia. Além da representação em Xangai, a entidade já trabalha para abrir o segundo escritório no continente – desta vez, em Singapura.

Já na Europa, um amplo estudo da entidade indica as oportunidades e desafios para os embarques agrícolas para o Reino Unido, agora oficialmente fora da União Europeia. Isso porque itens que antes as nações do bloco enviavam ao Reino Unido agora terão tarifas e taxas antes inexistentes e, com isso, o agronegócio brasileiro ganha competitividade. Um ponto de atenção, destaca Ligia, é a logística, já que boa parte das exportações brasileiras chegava ao mercado britânico em portos de outros países europeus.

"A União Europeia é um grande exportador agrícola, e o Reino Unido, o importador. E o Brasil tem boa participação neste mercado, mas pequena perto do potencial. A própria China exporta mais alimentos ao Reino Unido do que o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo", compara a executiva.

Desde janeiro, está em vigor o novo regime tarifário britânico pós-Brexit (UK Global Tariffs), com produtos e alíquotas de importação desgravadas, ou seja, reduzidas a zero, para diferentes nações. Outros terão tarifas simplificadas, e uma terceira categoria será de produtos com taxas reduzidas, além da medida de simplificação. Ao todo, a proposta do Reino Unido altera as tarifas de importação aplicadas sobre 563 produtos do agronegócio.

O estudo da CNA indica que os bens para os quais as alíquotas foram reduzidas representaram 47,3% do comércio de produtos do agronegócio mundial com o Reino Unido. Quanto ao comércio com o Brasil, o montante liberado equivale a US$ 533 milhões (valor referente a 2019). Caso de frutas como o limão, que teve reduções tarifárias de até 14 pontos percentuais, ao se comparar com as tarifas máximas aplicadas pela União Europeia para o produto. Assim como também foram reduzidas as alíquotas aplicadas sobre uvas e maçãs. Vinhos e cacau em pó foram liberados e poderão ingressar no mercado britânico sem a necessidade do pagamento de imposto de importação.

Um dos setores mais beneficiados é o de óleos essenciais, que teve as tarifas liberalizadas para todos os produtos. De acordo com o estudo, o Brasil é um importante fornecedor de óleos essenciais de laranja ao Reino Unido, representando, em 2019, um market-share de 33,4% das importações totais do mercado.

Fonte: Jornal do Comércio

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