AGRONEGÓCIO – Crise ambiental gera ao Brasil risco de embargos temporários da Europa

Setor agrícola pode sofrer retaliações comerciais em consequência de queimadas na Floresta Amazônica e enfrentar mais pressão nas negociações do acordo comercial com a União Europeia

Em 2018, bloco europeu representou 17,5% das exportações do agro nacional e totalizou US$ 17,78 bilhões

Em 2018, bloco europeu representou 17,5% das exportações do agro nacional e totalizou US$ 17,78 bilhões

FOTO: ESTADÃO CONTEÚDO

RICARDO CASARIN • SÃO PAULO

O Brasil corre risco de sofrer embargos temporários de países europeus em consequência das queimadas na Floresta Amazônica. Especialistas acreditam que movimento pode gerar pressão por preços de commodities agrícolas.

“Em um momento de negociação de um acordo comercial, não é interessante dar munição ao outro lado. Podem ocorrer pressões e até mesmos embargos temporários. Mas não deve ser algo permanente, mas mais como um sinal”, avalia o diretor de Commodities da INTL FCStone, Glauco Monte.

Ele acredita que por ser muito difícil encontrar produtores que substituam o Brasil, essas retaliações não devem ser de longo prazo, mas podem prejudicar o Mercosul como um todo em um momento que o bloco negocia um acordo de livre comércio com a União Europeia. “É difícil encontrar outras origens para todos os produtos que o País exporta. Um embargo ocorreria mais por pressão por preços.”

O presidente executivo da INTL FCStone no Brasil, Fabio Solferini, também vê possibilidade da negociação ser afetada, mas acredita que a situação deve chegar a um ponto de acomodação. “As duas partes já estão baixando o tom. Já houve uma sinalização de ajuda do G7 e há uma expectativa que o governo brasileiro comunique medidas de combate às queimadas.”

Durante evento realizado em São Paulo (SP) na segunda-feira (26), Monte declarou que a imagem externa do País é muito importante. “Não podemos perder o que foi conquistado nos últimos anos.”

Fonte : DCI