AGRONEGÓCIO – CMPC busca parceria com produtor para plantio de eucalipto no RS

Metade Sul e pequenos e médios produtores rurais são focos prioritários da companhia chilena

Metade Sul e pequenos e médios produtores rurais são focos prioritários da companhia chilena

Com a meta de ampliar sua base florestal no Rio Grande do Sul, a CMPC inicia em 2021 um grande programa de fomento à atividade, com ênfase em pequenos e médios produtores rurais. A Metade Sul do Estado, por questões logísticas, é uma das regiões foco da companhia chilena, que tem sua fábrica em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Com o programa de fomento florestal que será lançado nas próximas semanas, a multinacional oferecerá desde capacitação técnica até apoio na resolução de problemas com áreas degradadas e que podem ser convertidas em uma “poupança verde”, de acordo com a empresa.

A companhia conta hoje com uma base florestal de 467 mil hectares – dos quais 192 mil são de áreas preservadas. Teve uma expansão significativa nos últimos anos, com um crescimento de 98 mil hectares de área plantada, passando de 178 mil hectares, em 2018, para 275 mil hectares de área com plantio de eucalipto em 2020. Boa parte desta expansão, cerca de 75 mil hectares, veio através de um fundo florestal, já que a empresa não pode ter terras no Brasil, por ser de capital estrangeiro.

O trabalho será ampliado através de parcerias com produtores rurais. De acordo com Mauricio Harger, diretor geral da CMPC no Brasil, o programa de fomento florestal é inédito na companhia, que está há 11 anos no Rio Grande do Sul. Ainda que se assemelhe ao Projeto Losango, lançado em 2004 pela Votorantim Celulose e Papel (VCP) no Estado, Harger destaca que atualmente o cenário é significativamente mais favorável ao avanço da base florestal.

De acordo com o executivo, com o passar dos anos, surgiu uma visão mais realista sobre a atividade, que era vista com ressalvas por ambientalistas, preocupados com um “deserto verde” no Rio Grande do Sul. Agora, diz Harger, a integração entre lavoura, pecuária e floresta é inclusive uma forma de reduzir o efeito estufa, ajudar a combater o aquecimento global e melhorar o solo e os ganhos do agricultor.

Além do apoio técnico aos produtores rurais, a empresa aposta também no retorno financeiro para conquistar novos silvicultores. Do plantio à colheita, a silvicultura é apontada como uma poupança que pode ser utilizada, em média, depois de oito anos. E, de acordo com a CMPC, com ganhos que o produtor poderá comparar, por meio de um aplicativo específico, com os lucros que teria em investimento em CDB e até em relação com a soja.

“Tem muito pequeno produtor interessado (na silvicultura) e também profissionais autônomos, que têm um sitio ou uma fazenda, e que busca alternativa de renda com a propriedade, mas que não tenha um trabalho contínuo tão intenso”, detalha o diretor de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da CMPC, Daniel Ramos.

O cálculo personalizado leva em conta as características da propriedade, a área e até mesmo a distância do local de plantio em relação à fábrica de Guaíba – que hoje opera com sua capacidade total. Mesmo com duas paradas de manutenção no ano passado, a companhia alcançou recorde de produção em 2020, com 1,87 milhão de toneladas de celulose, ultrapassando até mesmo a estimativa inicial de capacidade em Guaíba, de 1,85 milhão de toneladas.

“Temos criado alternativas para a formação de novas áreas de plantio e há quase dois anos anunciamos a criação de um fundo florestal para captar oportunidades”, disse Harger em balanço da empresa divulgado na manhã desta quinta-feira (21), de forma virtual.

O programa avança neste ano para capacitação de mão de obra, contratos com parceiros e aquisição de equipamentos para o plantio, entre outras ações. “Não é simplesmente começar a semear 50% mais hectares de um ano para o outro. É um processo que não se dará em um só ano, e também é um grande desafio. Hoje, nosso patamar de plantio é de entre 20 mil e 22 mil hectares por ano”, explica Harger.

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Com o anúncio de que a companhia atingiu recorde de produção – e considerando que há gargalos operacionais para produzir mais com a estrutura atual e, ao mesmo tempo, observando o fato de que a CMPC segue ampliando constantemente sua base florestal no Rio Grande do Sul –, cresce a expectativa de que a multinacional faça novos investimentos no Estado.

Uma nova ampliação da fábrica em Guaíba já foi uma possibilidade colocada ao mercado anteriormente. Harger explica que a empresa estuda algumas formas de ampliar a produção, o que deixa no ar novamente esta perspectiva. Hoje, de acordo com o executivo, a companhia tem apenas como obter pequenos ganhos de capacidade de produção com algumas ações e ajustes de eficiência. Há, inclusive, um estudo a ser feito para ver possibilidades de ampliar a produção no local.

Como a aposta da empresa é que o mercado de celulose siga crescendo, em diferentes segmentos pela sua sustentabilidade maior em relação aos plásticos, por exemplo, um novo investimento deverá ser necessário para atender a demanda.

Um dos mercados que leva otimismo à empresa é o e-commerce, que necessita de muitas embalagens e reembalagens, e “veio para ficar”, segundo Harger. A projeção da empresa é que o setor cresça acompanhando o aumento do PIB global nos próximos dois anos.

“Temos um estudo para desengargalamento, mas não sabemos ainda o potencial que temos. Mas somos entusiastas e temos uma equipe muito capaz para receber investimentos e executar com excelência uma unidade maior e mais produtiva e mais moderna. Temos potencial para isso”, antecipa Harger.

A companhia também tem expectativa e reserva financeira prevista para compra de terras no Brasil, caso o Congresso aprove e o governo venha a sancionar a lei que permita aquisição de terras por estrangeiros, que hoje tem grandes limitações.

A recente proposta de regulamentação e aprovação do tema no Senado, no entanto, caso passe na Câmara, tende a ser vetada pelo presidente Jair Bolsonaro, que já anunciou que o faria. Em reuniões de investidores, afirmou Harger, a companhia tem anunciado estar aberta a oportunidades que aparecerem para aumentar a base florestal, com aquisições, e que participa de um fundo para isso.

“Isso é importante para pensarmos em um segundo passo de crescimento (no Brasil). Mas hoje há muitas restrições para isso e a principal delas é a lei de compras por estrangeiros. Mas com a proposta de lei que já teve aprovação, há melhoras consideráveis e considero que está muito bem preparada e deve ter andamento positivo”, avalia o diretor geral da CMPC no Brasil.

CMPC/DIVULGAÇÃO/JC

Thiago Copetti

Fonte : Jornal do Comércio

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