Agronegócio busca uma base cada vez mais sustentável

Investimentos em tecnologia têm permitido ganhos de produtividade com menor expansão na ocupação do solo

Cristina Ribeiro de Carvalho

Responsável por 22,74% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, com um movimento de R$ 942 bilhões, o agronegócio tem sido o principal responsável pelo bom desempenho da economia brasileira. Essa presença é mais acentuada nas exportações, em cuja composição os itens da agricultura e pecuária mantém participação anual em torno de 40%. Os números positivos embutem, contudo, uma preocupação relativa aos impactos ambientais da atividade, que cresce na mesma proporção que sua importância para a economia do país.

Dos 845 milhões de hectares da área territorial brasileira, 30,77% são ocupados por atividades relativas àqueles dois segmentos. Surge, assim, a necessidade de investimentos em mecanismos que permitam atividades mais sustentáveis e de menor impacto no meio ambiente.

"O governo ao criar legislações ambientais fez com que muitas empresas se movimentassem e começassem a desenvolver tecnologias voltadas ao cultivo, visando aumento de produtividade e consequentemente reduzindo seus efeitos na natureza", argumenta o diretor da Céleres Ambiental, Anderson Galvão.

Para exemplificar um pouco dessa eficiência que o país vem conquistando, Galvão conta que para que sejam produzidos hoje 65 milhões de toneladas de GRÃOS é necessária uma área de 14 milhões de hectares. "Se hoje fosse usada uma tecnologia de 15 anos atrás, essa produção só seria conquistada com algo em torno de 30 milhões de hectares. Praticamente o dobro. Isso mostra um pulo no setor tecnológico", aponta.

Paula Angélica Reis Carneiro, especialista em direito ambiental da Céleres, enxerga a criação de normas voltadas ao meio ambiente como resposta à conscientização da sociedade sobre a relevância deste tema. "Os avanços que temos presenciado nesse sentido têm ligação direta com o aumento de conhecimento das pessoas sobre o assunto e também pelo fato de o país ser rico em biodiversidade e recursos naturais, que traz à tona essa necessidade", justifica.

O progresso brasileiro em produção sustentável no campo também é defendido por Samanta Pineda, especialista em sustentabilidade no agronegócio. Segundo ela, enquanto o país aumentou nos últimos anos em 120% sua produtividade, enquanto a ocupação do solo aumentou em apenas a 30%.

"Isso significa colocar em pratica a produção sustentável, com agregação de tecnologias para que não seja gerado nenhum tipo de desmatamento. O Brasil está ditando para o mundo um novo modelo de produção", afirma.

Apesar dos pontos fortes citados, Samanta chama a atenção para que haja investimentos do governo voltados à educação do produtor rural, principalmente para os de pequenas propriedades. "Eles são os que têm mais difícil acesso a informações e uso de técnicas de eficiências que sejam benéficas ao meio ambiente. Muitos não têm noção dos impactos ambientais que causam com determinadas práticas como uso excessivo de fertilizantes", explica.

Essa necessidade é apontada também por Paula, da Celeres Ambiental, como essencial, já que muitos dos produtores rurais têm a falta de esclarecimentos sobre alguns pontos da legislação relativa a áreas protegidas de reservas legais nas propriedades rurais. "O agricultor sabe que é preciso otimizar o uso dos recursos, mas às vezes é difícil atingir esse objetivo, porque tem legislação que varia de estado para estado, região e bioma. Sendo assim, o produtor não consegue acompanhar e fica sem entender todos os pontos, levando-o a cometer erros", explica.

Dos 845 milhões de hectares do território brasileiro, 30,77% são ocupados por atividades relativas ao agronegócio

Fonte: BRASIL ECONÔMICO

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