Agroceres planeja aporte de R$ 50 milhões este ano

Ribeiral: aportes vão se concentrar no tripé que sustenta os negócios do grupo

Depois de reforçar suas operações com três aquisições nos últimos cinco anos, o grupo Agroceres prepara-se para iniciar o maior ciclo de investimentos orgânicos de sua história. A companhia, que fez 70 anos em 2015 e ultrapassou a casa dos R$ 700 milhões de faturamento pela primeira vez, planeja investir R$ 50 milhões neste ano.

"Possivelmente, vai ser o ano de maior investimento orgânico que já tivemos", disse ao Valor o novo presidente do grupo Agroceres, Marcelo Ribeiral. Formando em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e com MBA na Kellogg School of Management, nos EUA, o executivo acaba de assumir o cargo.

Segundo Ribeiral, os investimentos programados vão se concentrar no tripé que sustenta os negócios do grupo: nutrição animal, genética suína e sementes de milho. A Agroceres atua ainda nas áreas de formicidas e cultivo de palmito pupunha.

Principal frente de negócios, o segmento de nutrição animal receberá aportes para ampliar o centro de pesquisa e desenvolvimento da companhia. Ribeiral não detalhou o montante que será investido, mas afirmou que parte dele será financiada com recursos do Plano Inova Agro, uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep.

Além dos aportes em pesquisa já programados, a Agroceres vislumbra ampliar o raio de atuação em nutrição animal, principalmente de bovinos. Atualmente, o grupo tem três fábricas de nutrição – em Campinas (SP), Rio Claro (SP) e Patos de Minas (MG) -, e as vendas para suínos representam cerca de 50% nessa área. "Queremos crescer em nutrição em geral, mas enxergamos mais oportunidades em bovinos".

Para isso, a Agroceres terá de se aproximar do Centro-Oeste, onde está a maior parte do rebanho bovino brasileiro. "Precisamos atingir áreas onde ainda não chegamos por questões de logística", disse Ribeiral, ressaltando que o grupo ainda discute a melhor opção para fazê-lo.

Líder do mercado brasileiro de genética suína com mais de 50% de participação, a Agroceres PIC – joint venture entre a Agroceres e a inglesa PIC – também receberá investimentos em 2016. Segundo o executivo, a empresa construirá novas centrais de genéticas de suínos nos moldes da que foi inaugurada em Fraiburgo (SC), em 2013. Naquele ano, a Agroceres inaugurou a chamada "genética líquida" no Brasil. Por esse modelo, a empresa vende o sêmen selecionado de suíno, e não o próprio animal, como costumeiramente se faz no país. "A aceitação foi muito grande. Nossos clientes estão preferindo receber o sêmen da Agroceres do que fazer a própria coleta", afirmou.

Ribeiral disse que o grupo já vende todo o sêmen coletado na unidade de disseminação de genética de Fraiburgo. Por isso, a necessidade de novas unidades. Ele não detalhou os investimentos na área de genética, mas é possível ter uma ideia do montante. Em Fraiburgo, a companhia investiu R$ 10 milhões.

A divisão de sementes de milho da Agroceres será igualmente ampliada em 2016. Conforme Ribeiral, a atual indústria de sementes, em Patos de Minas (MG), tem capacidade para beneficiar 600 mil sacas de sementes por ano. Até o fim de 2016, essa capacidade ultrapassará 1 milhão de sacas, disse, lembrando que o segmento foi o precursor da história septuagenária do grupo.

A Agroceres surgiu em 1945 justamente como uma empresa de sementes de milho. Em 1997, acabou vendendo as sementes da marca Agroceres para a Monsanto. Seis anos depois, o grupo voltou ao negócio de sementes, e hoje atua com as marcas Biomatrix e Santa Helena, – esta última adquirida em 2011.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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