AGRITECHS – Tbit cria tecnologia que facilita classificação de grãos no agronegócio

Startup de Lavras (MG) começou com análise de sementes e agora diversifica atuação com equipamento para soja

O CEO da Tbit, Igor Chalfoun, e a equipe da agritech: tecnologia de análise e classificação

CEO da companhia, Igor Chalfoun

FOTO: LUIS CARLOS FERNANDES/TBIT

Criada há dez anos para facilitar o processo de classificação de sementes, a Tbit, startup de Lavras (MG), decidiu diversificar sua atuação e apostar também na análise de grãos. A agritech planeja agora expandir a tecnologia de análise para outras culturas e segmentos agrícolas e ampliar as vendas para o mercado externo em 2018. 

A empresa lançou neste ano um equipamento que, por meio da análise de imagens, torna a classificação de grãos mais simples e precisa. Para isso, o produtor deve colher amostras da safra, como em qualquer processo de classificação.

A tecnologia analisa as amostras e realiza em apenas dois minutos uma classificação que, pelo método convencional, levava vinte minutos, por ser manual. A Tbit padroniza o processo de análise e promete aumentar a precisão dos resultados.

A classificação é uma exigência tanto no momento da venda quanto em cada etapa do transporte.  É necessário fazer uma análise que indica fatores como umidade, fermentação e grau de pureza do produto, o que influencia diretamente o preço da saca pago ao produtor.

O problema é que, na maior parte dos casos, esse processo é feito manualmente por profissionais que analisam e preenchem formulários extensos sobre a qualidade das safras, podendo ocasionar erros e atrasos na entrega de informações.

A Tbit tem como principais clientes as empresas classificadoras. Mas o equipamento também pode ser utilizado em armazéns, cooperativas e tradings.

Em março, a empresa anunciou uma parceria comercial com a Genesis, responsável por 80% da análise de grãos do mercado brasileiro de soja. Atualmente a empresa conta com 2 mil classificadores digitais da startup em campos agrícolas em todo o Brasil.

No mercado

O portfólio inicial da Tbit, voltado para a classificação de sementes, já tem 10 produtos e está presente nas principais empresas e multinacionais do setor, como Monsanto, Basf e Bayer.

De acordo com o CEO da startup, Igor Chalfoun, o foco é a aplicação de visão computacional e de Inteligência Artificial (IA) no agronegócio. Além disso, a ideia é fazer com que as duas pontas da cadeia – o produtor e os compradores – sejam beneficiados pela tecnologia desenvolvida.

“O maior benefício ao produtor é a confiabilidade, saber que as análises são mais precisas. Para as empresas compradoras, a tecnologia garante qualidade nas análises”, diz.

A startup foi incubada pela Unilavras e recebeu alguns investimentos desde a sua fundação, em 2008. Entre eles, um aporte de R$ 2,2 milhões da Inseed e um da BR Startups no valor de R$ 1 milhão. Nos últimos três anos, a companhia triplicou de faturamento, afirma Chalfoun, sem relevar o valor. Segundo o CEO, o resultado pode ser atribuído à ampliação dos produtos e ao reconhecimento maior no mercado.

Projeções

A Tbit pretende expandir a tecnologia para outras culturas e segmentos agrícolas. Já anunciou pesquisas e desenvolvimento de tecnologias para a classificação de milho e de fertilizantes. Em 2019, a empresa deve iniciar o desenvolvimento de um equipamento para análise de frutas, legumes e verduras.

A comercialização no mercado externo também está nas apostas da startup. Em 2018, a startup fechou sua primeira venda internacional de uma tecnologia de classificação de sementes para os Estados Unidos.

Além disso, há a intenção de abrir mercado na Europa e na Argentina. “Este ano estamos com dois grandes desafios. O primeiro é conquistar o mercado de grãos e o segundo é a internacionalização. Para a nossa felicidade, tudo está acontecendo de forma natural e tranquila”, diz Chalfoun.

REBECCA EMY • SÃO PAULO

Fonte : DCI