Agrishow espera faturar R$ 2 bilhões neste ano

ALFREDO RISK/DIVULGAÇÃO/JC

Programas PSI e Mais Alimentos devem incentivar produtores rurais

Programas PSI e Mais Alimentos devem incentivar produtores rurais

Depois de uma segunda-feira chuvosa em Ribeirão Preto, que interferiu na visitação no primeiro dia da Agrishow, o feriado de ontem foi marcado por um dia de sol e farta movimentação nos estandes da maior feira de máquinas e implementos agrícolas da América Latina. A expectativa da organização do evento e das indústrias expositoras é grande, com a promessa de fechar a 19ª edição da mostra com a negociação de R$ 2 bilhões, superando o recorde de negócios observados em 2011, quando foram comercializados R$ 1,7 bilhão em equipamentos voltados ao setor primário.
Entre tratores, colheitadeiras e outras máquinas, a Agrishow é conhecida por ser palco dos principais lançamentos para o agronegócio nacional. Para além dos novos equipamentos, a feira ainda abriga boas novas para regiões produtivas. É o caso da Case IH, braço do grupo Fiat que produz máquinas para o setor. Além de anunciar um novo canal de assistência técnica com consumidores dos artigos top de linha do portfólio da marca, o Max Case IH, que vai reduzir o tempo de espera para solução de problemas enfrentados pelo produtor, bem como para a troca de peças com defeito, a companhia adiantou que, na próxima semana, o Rio Grande do Sul já passa a contar com revendas dos equipamentos.
Em parceria com a Cooplantio, Pelotas e Camaquã serão sedes das duas primeiras concessionárias da Case IH no Estado. Com um modelo enxuto recentemente lançado pela empresa, as lojas serão menores a fim de dar conta da demanda exata da região. “Em 1 de junho, Eldorado do Sul também terá uma unidade inaugurada e, até o fim do ano, a Cooplantio vai totalizar cinco lojas da Case IH”, destaca o vice-presidente da Case IH América Latina, Mirco Romagnoli. A quarta unidade será alocada em Santa Maria.
O momento que oportuniza a abertura de novas lojas demonstra o otimismo com o desenvolvimento do segmento. Na Valtra, 2012 é encarado como um ano que vai resultar em bom desempenho. O diretor comercial da companhia, Paulo Beraldi, explica que é difícil o Brasil repetir o volume de vendas de 56 mil máquinas registrado em 2010, mas que há espaço para uma comercialização entre 52 mil e 53 mil unidades pelas indústrias nacionais, índice considerado positivo diante do cenário nacional. A expectativa tem como base os programas de crédito que fomentam a atividade no campo. “Temos a reativação do programa Mais Alimentos, não acreditamos nele como uma aposta, esse programa é muito importante para a indústria de tratores”, diz o diretor comercial. Ele ainda menciona o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Bndes, como propulsor desse movimento.
Mesmo participando desde a primeira edição do evento, a New Holland chega à Agrishow 2012 inovando na oferta de máquinas e implementos. Além de uma colheitadeira que pode ser aplicada ao cultivo de uva, azeitonas e café, que na entressafra ganha o uso de pulverizadora, neste ano a companhia apresenta na feira um estande exclusivo para venda de máquinas para construção no campo. A meta é comercializar mais de 50 unidades.

Abimaq e Câmara Setorial pedem melhores condições para indústria

Mesmo afirmando que a agricultura brasileira está cada vez mais forte, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, Celso Casale, sentencia que a indústria de máquinas agrícolas brasileira pode estar fadada ao fim se não houver uma drástica redução dos juros e da carga tributária imposta ao setor. De acordo com dados da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a importação desses equipamentos cresceu 95,7% entre março de 2011 e 2012, enquanto as importações aumentaram apenas 10,2% no mesmo período. Casale explica que o câmbio pode ser culpado apenas em parte pela situação, e que cabe ao governo dar melhores condições de competitividade ao setor.
“Nenhum dos países desenvolvidos é taxado na fabricação de máquinas”, diz. “Com os juros como estão não dá para produzir, e com tanto imposto, então o que a gente pleiteia é que no setor de máquinas não tenha essas taxações, nosso pleito é que sejamos isentos de impostos”, completa. De acordo com ele, alguns implementos chegam a ter 30% do custo compostos de impostos. O dirigente assinala que todas as economias ditas fortes têm, além de investimentos maciços em educação, uma indústria de máquinas forte, e que o Brasil precisa alcançar esse patamar para se desenvolver.
Casale reconhece os esforços do governo e do Banco Central em reduzir os juros, bem como o empenho em conceder programas de fomento para que os produtores rurais adquiram máquinas e equipamentos, a exemplo do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).  Ainda assim, ele reivindica que não apenas os produtores tenham acesso a condições mais competitivas, mas que a indústria tenha ferramentas para sobreviver e crescer sem perder espaço para outros mercados, como Estados Unidos, Europa e Ásia, que são os principais emissores de máquinas para o Brasil.

Fonte: Jornal do Comércio | Mayara Bacelar, de Ribeirão Preto (SP)

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