AGRICULTURA – Produtores de cacau da Bahia voltam a sofrer com seca após período de chuvas artificiais

Medida feita em parceria com a AIPC aliviou a situação entre os meses de dezembro e janeiro, mas os incêndios voltaram a acontecer nas últimas semanas

hortifruti_cacau_pe_arvore_cacaueiro (Foto: Ernesto de Souza / Ed. Globo)

A AIPC e os produtores estudam realizar novamente a indução de chuvas na região (Foto: Ernesto de Souza / Ed. Globo)

Preocupados em salvar a produção e diminuir os efeitos da seca causada pelo El Niño, produtores de cacau do sudeste da Bahia se juntaram para contratar um serviço de indução de chuvas. A medida foi financiada em parceria com a Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), e, de acordo com relatórios, conseguiu aumentar os níveis pluviométricos na região. Entretanto, para alguns agricultores não houve uma solução suficiente a longo prazo.

Foram realizados mais de 30 vôos ao longo dos 35 dias de projeto entre os meses de dezembro e janeiro. As aeronaves contratadas sobrevoaram as cidades de Ilhéus e Itabuna, onde lançaram uma solução de água potável com o objetivo de aumentar o tamanho das nuvens e provocar as chuvas. A técnica se popularizou nos últimos anos após ser usadana tentativa de abastecer as represas do Estado de São Paulo. Sua eficácia, porém não é consenso entre os cientistas, apesar de haver poucos estudos científicos capazes de dar um veredicto final à discussão.

No total, a indução custou R$ 290 mil, divididos entre agricultores e AIPC. De acordo com a ModClima, empresa responsável pelo serviço, 11 chuvas foram induzidas com sucesso, e no período também ocorreram precipitações naturais.

Para o produtor Pedro Spinola, dono de uma fazenda de cacau em Ilhéus, a indução aliviou pontualmente a situação crítica dos produtores: “Tivemos um diálogo inédito com a AIPC em prol de um bem comum. Felizmente, as chuvas nos ajudaram ao menos a apagar incêndios nas lavouras. Se compararmos com nossos prejuízos, os custos de implementação foram baixos”, afirma. Ainda assim, no último mês Spinola teve de contratar caminhões-pipa para abastecer a plantação. “Estamos quebrados financeiramente, e essa parceria foi muito interessante. Estamos na expectativa de contratar de novo o serviço, pois os incêndios estão voltando”.

De acordo com Walter Tegani, presidente da AIPC, os resultados estão sendo analisados para verificar a viabilidade de repetir novamente a parceria com os produtores. Há também expectativa de expandir a ação para outras regiões próximas. No ano passado, as colheitas de cacau na Bahia sofreram uma perda de aproximadamente 40.000 toneladas por conta da seca.

POR GABRIEL LELLIS COM VINICIUS GALERA

Fonte : Globo Rural

Compartilhe!