AGRICULTURA – Porto Alegre celebra Festa da Uva e da Ameixa na zona Sul

Evento atraiu consumidores para a zona Sul de Porto Alegre

Evento atraiu consumidores para a zona Sul de Porto Alegre

Ao pensar sobre Porto Alegre, dificilmente vem à cabeça das pessoas um cenário rural. No entanto, a 29ª Festa da Uva e da Ameixa, que iniciou no final de semana passado e se encerra neste domingo (19), prova que a Capital gaúcha não se limita ao seu centro urbano. Com essas e outras frutas sendo comercializadas, o evento é realizado pela Associação Comunitária Belém Velho, no CTG Estância da Figueira (Rua Doutor Vergara, 5.345).

A presidente da Associação Comunitária Belém Velho, Heloisa Viñolo, destaca que o público do primeiro final de semana do encontro tinha como opção de transporte para chegar ao local o city tour Linha Turismo, que sai do terminal da Travessa do Carmo, na Cidade Baixa. No entanto, devido ao temporal que acarretou quedas de árvores e fios elétricos em Porto Alegre, o ônibus não fez o trajeto neste último final de semana. Apesar disso, ela diz que a festa teve uma boa procura. O tesoureiro da associação, Izair Prodorutti, salienta que a maior parte dos porto-alegrenses não sabe que bairros como Belém Velho, Vila Nova e Campo Novo são polos de produção de ameixa e uva na capital gaúcha.

Prodorutti comenta que na festa o preço médio da caixa pequena de uva ou ameixa, que chega a cerca de 1,5 quilo, custa em torno de R$ 10,00. Contudo, apesar de serem consideradas como “carros-chefes” do acontecimento, não são somente essas frutas que o consumidor pode degustar no evento. Participam do encontro sete produtores de Porto Alegre que, além de uva e ameixa, trabalham com pêssegos, melancia, figo, morango e outros produtos. O aposentado Sergio Magnus se espantou com a variedade. Ele saiu de Gravataí para participar do evento depois de ouvir a notícia sobre a festa. “É a primeira vez que venho para a Zona Sul de Porto Alegre”, frisa.

O produtor Marco Antônio Balestrin de Menezes diz que o público predominante é oriundo de Porto Alegre, mas também se verificou a presença de pessoas da Região Metropolitana. Ele acrescenta que, apesar de não ter sido uma das melhores safras para a uva, as vendas estão excelentes. Os principais tipos de uvas comercializados por Menezes são a niágara branca e rosa, assim com a francesa preta e a isabel. Ele espera movimentar aproximadamente duas toneladas durante a festa. A família Balestrin cultiva uva em uma chácara, em Vila Nova, que já tem mais de 120 anos.

Já o produtor Valdomiro Silveira dos Santos, que trabalha com pêssego, ameixa, uva e melão, também considera bom o movimento. Segundo ele, a maior parte das suas vendas foi de ameixas roxas. Nos quatro dias de evento, Santos espera comercializar algo entre 7 e 8 toneladas de frutas no total. Sobre a vantagem para o consumidor em participar da festa, o agricultor argumenta que o cliente comprará um produto direto do produtor, que ficou muito menos tempo estocado do que o do supermercado.

A primeira Festa da Uva do Estado foi comemorada em 1910 em Porto Alegre e, posteriormente, acrescentou a produção de ameixa à celebração. Realizada em janeiro, a festa da Capital acontece cerca de 30 dias antes da de Caxias de Sul em função do microclima de Porto Alegre, que oportuniza a antecipação do período de colheita. De acordo com dados da prefeitura, Porto Alegre tem uma área rural demarcada de 4,1 mil hectares, o equivalente a 8,28% do território da cidade. É a segunda maior área rural entre as capitais do País, atrás somente de Palmas, no Tocantins.

Ainda conforme a prefeitura, a safra deste ano é de 100 toneladas de uva e 100 toneladas de ameixa. O número é equivalente ao da safra passada – ainda que a produção tenha sido afetada por fatores climáticos. A alternância de clima prejudicou a produção de uva, mas, em contrapartida, favoreceu o desenvolvimento das ameixas.

LUIZA PRADO/JC

Jefferson Klein

Fonte ; Jornal do Comércio