AGRICULTURA- Parceria prevê dobrar a produção de castanha-do-pará na Amazônia central

Plano estratégico de Emater, Embrapa e Fundação Jari é plantar 2 mil hectares de castanheiras em 3 anos

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Projeto de incentivo à produção de castanha deve começar em janeiro de 2021, com o plantio de 2 mil hectares (Foto: Thinkstock)

Dobrar a produção de castanha-do-pará (também conhecida como castanha-do-Brasil) em 20 anos na região central da Amazônia, que inclui parte do Pará e do Amapá. Esse é plano da parceria entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Fundação Jari. Os parceiros estão estruturando um processo de inovações tecnológicas e estratégias de mercado que abrange produção, distribuição, beneficiamento e comercialização da castanha, um dos principais produtos florestais não madeireiros de exportação do país.

A primeira etapa será o plantio, a partir de janeiro, de 2.000 hectares de castanheiras na região do Baixo Amazonas, nos municípios paraenses de Alenquer, Óbidos, Oriximiná e Santarém, e na região do Vale do Rio Jari, que abrange Almeirim (PA), Laranjal do Jari, Mazagão e Vitória do Jari (esses três no Amapá). O plantio deve ser distribuído em três anos.

As sementes serão plantadas no sistema agroflorestal, compartilhando espaço com açaí, banana e outras frutas, em terras da Fundação Jari, dos próprios castanheiros e em áreas de proteção. Participam do projeto também as prefeituras da região, associações e cooperativas.

Walter Paixão, analista e supervisor da área de prospecção de impactos da Embrapa Amapá, diz que a castanha é o principal produto florestal não madeireiro da região em que o rio Jari une os Estados do Pará e Amapá. Segundo ele, no ano passado, foram produzidas 5 mil toneladas, que, comercializadas in natura, geraram em torno de R$ 30 milhões. “A castanheira demanda um longo período de maturidade, mas acredito que, com o uso de sementes e não enxertia, em dez anos as novas árvores já comecem a produzir. Em 20 anos, esperamos dobrar a produção.”

Segundo o analista, não há plantio comercial de castanhas na região. “Conheço apenas uma  experiência privada no Amazonas.” Toda a produção local vem do extrativismo, mas está caindo devido ao envelhecimento das árvores e também ao aumento das unidades familiares que vivem da extração da castanha. “A mensuração é feita por hectolitros (média de 50 kg a 60 kg de castanha com casca) extraídos por família. Em 12 anos, essa produção caiu de 70 hectolitros por família para 57. Muitos castanheiros já estão desistindo da atividade porque ela se torna insustentável.”

Exportação

Segundo a Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas, desde 2007, o setor exporta anualmente cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,01 bilhão). O Chile, que obtinha na época cerca de US$ 96 milhões com o envio ao exterior de castanhas, hoje movimenta mais de R$ 500 milhões, graças a investimentos na cultura, que faltaram no Brasil. Em 2018, melhor ano de produção, o valor de exportações da castanha-do-pará brasileira somou US$ 32,2 milhões.

ELIANE SILVA

Fonte : Globo Rural

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