Agricultura é o patinho feio da economia

colunista de 109391
Sérgio Barreto Motta

Nunca os dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) foram tão claros. Mostram: a decadência da indústria – que só não caiu mais por causa da construção civil, um segmento que jamais irá sofrer concorrência externa, porque precisa ser montada no local; o setor de transformação está descendo ladeira abaixo, devido à artificial valorização do real, ajudada pelo Custo Brasil. Nesse contexto, a força da agricultura é evidente. O setor, no entanto, não tem status. Os produtores agrícolas são responsáveis por um saldo comercial de US$ 77,5 bilhões e suas reivindicações são mostradas, todo dia, na TV, como obra da "bancada dos ruralistas". Nos últimos anos, o país tem lucrado com minério e soja, sendo que o minério é finito e gera buracos na terra, enquanto a produção agrícola é sustentável e reciclável.

O atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, quando relator do Código Florestal, afirmou que as leis ambientais em vigor inviabilizariam 90% da agricultura em geral e 99% no Rio Grande do Sul. E, mesmo contribuindo para a riqueza do país, os agricultores têm de se explicar a entidades internacionais dissociadas dos problemas brasileiros, como Greenpeace e WWF. Talvez sentido-se órfã, a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu, eleita pela oposição, foi parar nos braços do governo, à procura de acalanto para sua classe.

Mas os números do PIB não param por aí. Indicam o perigoso crescimento na arrecadação de impostos e revelam, de forma translúcida, que nos governos Lula e Dilma a teia burocrática está crescendo. O governo mantém 38 ministérios e cria agências por todo lado. Muitas dessas instituições estão cheias de gente que entrou pela janela. Em resumo, a indústria sofre com a invasão chinesa; a agricultura tem de provar à sociedade que é muito mais do que uma simples bancada de ruralistas perversos.

O agronegócio, em vez de referenciado, é alvo das críticas dos ambientalistas, como se fosse uma indústria de amianto ou atividade perigosa. E o governo, além de expandir seus gastos, não faz reformas para simplificar o dia-a-dia dos brasileiros e preparar a nação para décadas de ferrenha competição globalizada.

Mantega e o real

Se há alguém determinado a brigar com a distorção cambial, este é o ministro Guido Mantega. Quando no Banco Central estava o fortalecido Henrique Meirelles., Mantega parecia pregar no deserto, mas sempre lutou contra a valorização do real.

Regras no mar

Durante o seminário Maritime Summit, promovido pelo grupo Viex-Americas, nesta quarta-feira no Rio, o professor de direito marítimo Osvaldo Agripino fez um alerta. Disse que o Brasil precisa aderir, com urgência, à Convenção de Atenas, que se refere ao tráfego de navios de passageiros.

– Em pouco tempo, o movimento de transatlânticos na costa brasileira subiu de forma impressionante. No caso de um acidente, deveriam ser aplicadas as regras sobre responsabilidades dos armadores previstas nessa convenção – disse Agripino.

Afirmou que, por se tratarem de empresas estrangeiras, a questão é mais delicada e, portanto, mais urgente que o governo estude adesão a essa norma internacional. Nesta quarta-feira, em Santos, 50 passageiros apresentam problemas de saúde no navio Balmoral.

Fibra de vidro

A presidente Dilma e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, estão entusiasmados com uma novidade que pode dar enorme estímulo – através da redução de custos – ao programa Luz para Todos. Trata-se do uso de postes em fibra de vidro, em substituição aos tradicionais, de concreto, madeira ou metal. Além de mais baratos, os postes de fibra de vidro apresentam redução de 90% em peso, em relação a postes de concreto.

Criado em 2003, o Luz para Todos já beneficiou 15 milhões de pessoas, sendo que 49% delas no Nordeste. Até 2014, o programa pretende fazer 400 mil novas ligações, disse Dilma no programa Café com a Presidenta, no qual citou os benefícios dos postes de fibra de vidro para uso na Amazônia.

Em estudo

A esta coluna, o presidente da Associação Brasileira dos Terminais de Containeres de Uso Público (Abratec), Sérgio Salomão, diz que a entidade ainda está estudando a recente resolução da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que trata da movimentação de contêineres nos portos.

– Cada empresa está analisando a fundo a Resolução 2.389, para depois a Abratec se posicionar sobre a questão – diz.

Observadores independentes disseram à coluna achar estranho que, em caso de dúvidas entre terminais e armadores, quanto a cobrança da "cesta de serviços" (box rate), caberá às administrações portuárias fixar o valor justo, como uma espécie de Rei Salomão. Como se sabe, as companhias Docas mal sabem cuidar de seus próprios interesses, quanto mais arbitrar pendências entre terceiros.

Sistema S

Anda movimentado o Sistema S – entidades como Sesc e Senac, do comércio, e Sesi e Senai, da indústria. Criadas na década de 40, essas instituições vivem de renúncia fiscal, valor que é cobrado compulsoriamente de todas as empresas, junto com a folha de pagamento. Em termos nacionais, foi lançado o Programa Senai para Competitividade Industrial. Como o sistema S já recebe verba oficial, é de se perguntar por que o BNDES irá entrar com 74% dos recursos. Com isso, o Sistema S concorre com empresas e entidades que vivem apenas de suas suadas receitas.

No Rio, informa-se que a Confederação Nacional do Comércio conseguiu cassar a liminar que havia reconduzido Orlando Diniz ao comando de Sesc/Senac. Assim, Diniz deixou novamente o cargo e o entregou ao interventor da CNC, entidade comandada por Antonio Oliveira Santos.

Rápidas

As vencedoras nacionais do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios serão conhecidas nesta quinta-feira, Dia Internacional da Mulher. A cerimônia de premiação será realizada na sede do Sebrae, em Brasília, onde as ganhadoras receberão os troféus ouro, prata e bronze *** A Sonae Sierra, grupo norte-americano/europeu com dez shopping centers no Brasil, teve bons resultados no último trimestre de 2011. A receita líquida, de R$ 61,5 milhões, apresentou alta de 18% – em relação a igual período de 2010. E o lucro líquido, no ano, cresceu 66% sobre 2010 *** A empresa paulista C.Martins & Advogados Associados está em novo endereço no Rio: um prédio exclusivo de seis andares na Praça Tiradentes, no Centro da cidade *** A Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) abriu inscrições para a 21ª edição do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) *** Preocupado com a imagem internacional, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, dará entrevista a correspondentes estrangeiros nesta sexta-feira, no Rio *** Começa dia 8 de maio, em São Paulo, o 2º Seminário Nacional de Mobilidade Urbana *** Será segunda-feira, na embaixada italiana em Brasília, o seminário Brasil e Itália no Contexto Global *** Será dia 16, em Montevidéu, no Uruguai, a 53ª. reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A entidade conta com 48 países associados. São esperados 3.000 empresários ** Na próxima terça-feira haverá, em São Paulo, o evento Oil & Gas Pré-Sal Bacia de Santos, que contará com a presença de grandes players do setor. Segundo Vinnicius Vieira, da produtora Viex America, um dos objetivos é situar o estado de São Paulo como um grande produtor de petróleo, tirar o monopólio de produção da Bacia de Campos, por assim dizer. Se isso é verdade, São Paulo precisa entrar para valer na luta pelos royalties *** Começa dia 12, na Associação Comercial de Santos (SP), a 4ª Semana do Jovem Empreendedor. Espera-se atingir 5 mil universitários, informa Armando Akio, da ACS *** A quarta-feira foi de alta tanto para dólar como para a bolsa.

Fonte: Monitor Mercantil

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