AGRICULTURA – Governo seguirá com política de liberar agrotóxicos, diz ministra da Agricultura

Tereza Cristina se posicionou a favor da exploração agropecuária em terras indígenas e contra o “imposto do pecado” sugerido por Paulo Guedes

Após um 2019 com o maior registro de aprovação de agrotóxicos da história, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina disse que o governo vai seguir com a política de liberar registros e que a “Anvisa tem uma fila enorme” para aprovar.

“O agricultor usa o defensivo agrícola porque precisa usar. Não é porque ele quer. Se usar da maneira correta, há segurança de que aquilo não faz mal”, afirmou em entrevista ao portal UOL e ao jornal Folha de S.Paulo.

Ela também enfatizou que cada produto a ser aprovado tem que ser menos tóxico do que os que já estão no mercado. “Então, se você aprovar mais produtos, teoricamente, ele são menos tóxicos do que aqueles que estão no mercado. Há vários produtos sendo reavaliados, e alguns serão banidos”, garantiu.

Agropecuária em terras indígenas

Tereza Cristina também se posicionou a favor da exploração agropecuária em terras indígenas. “Alguns povos indígenas têm aptidão para a agricultura e estão sendo cerceados, estão tendo problemas para poder entrar na agricultura comercial, ter renda”. Mas pontua que “não é porque a lei amanhã permitirá isso que todos vão plantar”.

A ministra disse, ainda, que não vê possibilidades da aplicação do “imposto do pecado”, proposto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. “A princípio, sou contra. Acho que o açúcar, no momento, é muito complicado. E o álcool também. Nós temos que ver o impacto geral, isso não pode ser olhado de maneira pontual”, afirmou.

Amazônia

Outro ponto comentado por ela foi a Amazônia. Tereza Cristina ressaltou que o governo federal pode ter falhado em conter a expansão da fronteira agrícola na região ao longo de 2019, muito por conta da falta de agilidade e legislação.

Para a ministra, a regularização fundiária ajudará na fiscalização. “A regularização fundiária é a base de toda essa estratégia. O que nós precisamos saber é quem está fazendo [atividades ilegais], dar nome aos bois e poder punir”, finalizou

REDAÇÃO GLOBO RURAL

Fonte : GLOBO RURAL