Agricultura familiar está diante de vários desafios

Recuperar o espaço perdido pela agricultura familiar nas estruturas de governo, trabalhar pela manutenção da assistência técnica ao produtor, fortalecer as entidades sindicais, evitar que o Proagro Mais passe para as mãos das seguradoras privadas e fixar o jovem no campo são alguns dos desafios que a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) apontou para 2020, ontem, em sua análise do ano que chega ao fim e das tendências para o futuro.

O presidente da entidade, Carlos Joel da Silva, disse que mesmo que responda, somente no Estado, por 80,5% dos estabelecimentos rurais computados pelo Censo Agropecuário de 2017, a agricultura familiar perdeu com a extinção do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR).

Segundo Joel, as ações políticas do Brasil estão na contramão da Década da Agricultura Familiar, lançada pela ONU, que prevê a criação de ambiente político favorável para fortalecer a agricultura familiar e suas organizações.

"A agricultura familiar tem suas particularidades e temos de manter a sua soberania", comentou, ao lembrar que neste ano, pela primeira vez em décadas, o setor não teve um Plano Safra específico e que os agricultores já têm dificuldades para acessar recursos de investimentos do Pronaf.

A Fetag demonstrou preocupação também com a intenção do governo de tirar do Banco Central a administração do Proagro Mais, o seguro agrícola da agricultura familiar. "No formato que o governo pretende, é tirar do Proagro o caráter de política pública e transformá-lo num produto das seguradoras e isso não podemos aceitar", ressaltou Kaliton Prestes, assessor de política agrícola da federação.

De acordo com a Fetag, os números do Censo Agropecuário 2017 apontam ainda a necessidade de investimentos do governo em infraestrutura, uma vez que no Estado 7% dos estabelecimentos da agricultura familiar ainda não têm energia elétrica, 14% não possuem telefonia e 64% não acessam a internet.

Fonte: Correio do Povo

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