AGRICULTURA FAMILIAR – Alta procura faz participação de orgânicos na feira mais que dobrar

Eunira Carraro mostra diversidade de itens fabricados na agroindústria

Eunira Carraro mostra diversidade de itens fabricados na agroindústria

A procura por produtos orgânicos no Pavilhão da Agricultura Familiar vem crescendo a cada ano. Em 2017, o espaço contou com 14 agroindústrias participantes e neste ano, o número mais que dobrou, chegando a 32 produtores. A preocupação com o consumo de produtos livres de agrotóxicos e adubos químicos atrai cada vez mais consumidores para a Ilha dos Orgânicos, um corredor inteiro destinado à venda desses alimentos.

A banca de Eunira Silveira Carraro, proprietária da Agroindústria Carraro, de Monte Alegre dos Campos, é uma das mais movimentadas da feira pela diversidade de produtos que comercializa: geleia sem açúcar, doces, sucos, extrato de tomate, cinco variedades de feijão, barrinha de banana zero açúcar, farinha de banana. Produtora de orgânicos desde o ano 2000, Eunira diz que as vendas estão em alta e que procura diversificar para atender à demanda dos consumidores. "Há 15 anos, participamos da Expointer, e dos últimos anos para cá, o consumidor que realmente quer uma alimentação saudável vem direto ao nosso estande."

A produção da Carraro tem o selo da certificadora Ecovida e mais de 90% das frutas e legumes usados como matéria-prima são cultivadas na propriedade. Além de Porto Alegre, as vendas vão para São Paulo, Santa Catarina e Paraná através de uma rede de distribuição de produtos chamada Circuito dos Orgânicos: um caminhão circula por esses estados, levando os produtos e trazendo para o Rio Grande do Sul alimentos do resto do País. Eunira afirma que, apesar de o cultivo de orgânicos ser mais difícil, a recompensa vem nos valores finais dos produtos, que podem ser 30% a 50% mais altos do que os produtos convencionais.

A diversificação é importante para atrair consumidores, pois, há até bem pouco tempo, eram escassas as opções de produtos orgânicos no mercado. Essa é a aposta da agroindústria Bellé, de Antônio Prado, que trabalha com temperos e frutas nativas. "Temos registro para produzir cerca de 40 variedades de frutas nativas, das quais processamos sucos. As principais são as de butiá, ananás, guabiroba, araçá, uvaia, pitanga, cereja do Rio Grande", informa a proprietária, Franciele Menoncin Bellé.

Segundo a produtora, os consumidores procuram muito os produtos, não só por serem orgânicos, mas também diferentes. Os temperos são feitos a partir das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). "Plantas que eram usadas na alimentação de nossos antepassados, como a ora-pro-nóbis, folha de abóbora, folhas de feijão pois o tempero usado na comida era o que tinha disponível no pátio, mas acabamos perdendo esse hábito", diz Franciele.

Um dos principais produtores de arroz orgânico da América Latina, a Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), de Nova Santa Rita participa desde a primeira edição da feira da agricultura familiar. "As pessoas vêm em busca de um produto que não encontram no mercado convencional, com a preocupação de consumir algo saudável. Somos pioneiros aqui na feira e fomos conquistando espaço pois o interesse é crescente", afirma a economista associada da Coopan, Indiane Witcel Rubenic.

Com uma área de 250 hectares cultivados na propriedade, os agricultores vão incrementar a área em quase 25%, em função da alta demanda. Segundo Indiane, a cooperativa procura comercializar o quilo do arroz agulhinha a um preço semelhante ao convencional, a R$ 3,00. No entanto, em outras variedades do cereal, como cateto e integral, os preços ficam um pouco acima. "Os custos são um pouco mais altos e em algumas vezes a produção acaba sendo menor, o que reflete nos preços." Indiane explica que o segredo do controle de pragas e doenças do arroz está no manejo correto da água usada para irrigar a lavoura.

Vinícola planeja oferta de novos produtos

Consumidores conhecem o diferencial, afirma Salete Arruda

Consumidores conhecem o diferencial, afirma Salete Arruda
/MARCELO G. RIBEIRO/JC

A produtora de vinhos e sucos de uva orgânicos, Salete Arruda, da Coopec, de Garibaldi, diz que o aumento nas vendas se dá não só pelo crescimento do evento, mas também do interesse na agricultura familiar. "O consumidor já conhece o diferencial do orgânico, não precisamos convencê-lo de que é mais saudável e sustentável."

Em função da demanda, a agroindústria, cuja mão de obra é 100% familiar, planeja o lançamento de uma espumante orgânica, elaborada a partir de uvas Chardonnay. A intenção é lançar a bebida na Expointer de 2019. Além disso, a produção vinícola inclui uvas Bordeaux seco, Bordeaux suave, Isabel e Niágara e os sucos brancos e tintos. A produção é própria, desde o plantio da uva até o envase.

Salete diz que o custo de produção é um pouco mais alto, por ser um produto artesanal, mas que o valor do litro do suco, não é muito diferente do convencional, em torno de R$ 10,00 um litro e meio de suco. A agricultora explica que o controle das parreiras é feito através da biodinâmica. "Resgatamos o que nossos avós faziam antigamente: sem veneno, observando o ambiente. Se a formiga tem o que comer no chão, não precisa subir na parreira para comer a folha. O equilíbrio do meio ambiente, equilibra o sistema como um todo."

/MARCELO G. RIBEIRO/JC

Ana Esteves

Fonte : Jornal do Comércio