Agricultura e as soluções sustentáveis

Acabamos de assistir à concorrida Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, marcando os vinte anos de realização da Eco-92. Vem se formando o consenso, e espera-se que a Conferência no Rio de Janeiro tenha sido enfática neste rumo, de que conservar a natureza e promover o desenvolvimento socioeconômico são rumos necessários e absolutamente possíveis. Uma das respostas está na agropecuária, atividade estratégica para a maioria dos países, inclusive os desenvolvidos – apenas para citar alguns exemplos, como Estados Unidos, França e Japão, o que desmistifica o equívoco de considerá-la importante apenas nos países menos desenvolvidos. A produção agrícola que alia os manejos sustentáveis à imprescindível eficiência tecnológica é a melhor tradução dos conceitos de sustentabilidade e, o mais recente, a chamada Economia Verde, que norteiam os debates na Rio+20.

Porque a razão do planeta são seus habitantes, os desafios colocados exigem uma agenda positiva que compreenda e valorize a missão crucial da agricultura. Para poupar recursos naturais – terra, água e energia – o aumento deverá ocorrer via produtividade das lavouras, daí o essencial papel das inovações tecnológicas. Não há como falar em Economia Verde sem a participação de agricultores sustentavelmente competitivos.

Há cerca de duas décadas, começaram a ganhar força os arranjos estratégicos envolvendo entidades do setor, comunidade científica, institutos de pesquisa, órgãos de governos e empresas. Devido ao desmantelamento dos programas de extensão rural no País, após a extinção da Embrater, Empresa Brasileira de Extensão Rural, em 1990, diversos setores representativos do agronegócio vêm contribuindo de maneira notável na empreitada de levar ao campo a extensão do conhecimento a milhares de agricultores e, com isso, melhores perspectivas para o seu sucesso na atividade. Cite-se, como exemplo, o empenho das indústrias de defensivos agrícolas, juntamente com as revendas agropecuárias, cooperativas e as centrais vinculadas ao Instituto de Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev). Entre os anos de 2005 e 2011 foi alcançado o expressivo número de 12.128.181 pessoas treinadas e impactadas. Iniciativas como essa apontam o rumo que norteou as discussões na Conferência das Nações Unidas, a Rio+20. Afinal, do campo vêm alimentos, fibras e matérias-primas vegetais renováveis para produção de energia para o mundo. Portanto, a agricultura é o centro das soluções sustentáveis.
Presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal/Andef

Fonte: Jornal do Comércio | João Sereno Lammel

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