AGRICULTURA – Consultoria prevê queda de 7% nas exportações do agro em 2020 devido a coronavírus

Redução do crescimento econômico global e menor fluxo de embarques nos portos do país impactarão setor, avalia Safras

Com a redução da movimentação de cargas nos portos e o desaquecimento da economia mundial causadas pelo avanço do coronavírus, as previsões para o crescimento do valor bruto de produção do agronegócio já começam a ser revistas.

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, as exportações do setor devem apresentar queda de 7% este ano, de R$ 96,78 bilhões em 2019 para R$ 90 bilhões em 2020.

“Neste contexto o mercado assume claro tom de risco sistêmico com abalos para o PIB brasileiro, do agro e do valor bruto de produção do agronegócio do país o qual deve sair do nível atual de R$ 683 bilhões para o nível de R$ 600 bilhões (-12% ou queda de R$ 83 bilhões]”, avalia a consultoria em relatório assinado pelo analista Mauricio Muruci.

Caso se confirme a previsão, a consultoria espera que o saldo da balança do agronegócio passe de R$ 83,13 em 2018 para R$ 79 bilhões em 2020, queda de 4,97%.

"A estimativa inicial é que o PIB da China cresça apenas 3% em 2020 contra estimativas do ano anterior entre 6,5% a 6%. Somente no primeiro trimestre de 2020, o PIB da China deve recuar 9%. Por sua vez, o PIB internacional deve ser "crescer" 0% em 2020, perdendo o ritmo de alta dos anos anteriores entre 1,5% a 3%"

Mauricio Muruci, analista da Safras & Mercado

No Brasil, Muruci alerta para o tom de recessão ao longo do ano, mesmo com as medidas de estímulo econômico já adotadas no país, como a redução da taxa de juros. No aspecto macroeconômico, a previsão da consultoria é de um dólar acomodado no novo patamar de R$ 5, com tendência a buscar R$ 6.

Cana

Para a cana-de-açúcar, a previsão é de uma queda de 6,5% no valor bruto de produção no mesmo período, com perdas R$ 1,25 bilhão em exportações diante de um recuo de 20% no fluxo de embarques.

Segundo a consultoria, deve haver retração de 7% nas exportações do complexo sucroenergético, passando de R$ 6,5 bilhões em 2019 para R$ 5 bilhões em 2020.

CLEYTON VILARINO

Fonte : Globo Rural

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