Agricultores têm direito de resgatar seguro

Mesmo diante dos problemas causados pela pior seca dos últimos 30 anos em quase 200 municípios baianos, menos de mil pequenos produtores assistidos pelo Seguro da AGRICULTURA FAMILIAR (Seaf) comunicaram as suas perdas aos bancos para o recebimento dos benefícios. A situação foi informada pelo diretor do departamento de financia-mento e proteção à produção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), João Luiz Guadagnin.

O Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, responsáveis pela concessão da linha de crédito para os agricultores por meio do financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da AGRICULTURA FAMILIAR (PRONAF), não informaram o número total de produtores baianos que estão inclusos nessa linha até o fechamento desta edição. O Seaf concede crédito de custeio agrícola com seguro que cobre 100% do valor financiado e mais R$ 3,5 mil da receita líquida esperada. Os agricultores que já registra-ramperdasdemaisde30%da safra podem comunicar ao banco a situação para resgatar o benefício.

"O número de agricultores familiares que comunicaram perda foi menos de mil. É um número muito pequeno, mas ainda há tempo. Quem tem custeio agrícola tem de fazer o comunicado à agência bancária onde contratou financiamento", diz Guadagnin.

Segundo o titular da Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri),Eduardo Salles,os municípios afetados com a seca também aguardam a decisão

do Conselho Monetário Nacional para a prorrogação das dívidas vencidas dos produtores a partir de 1º de janeiro. "Solicitamos a imediata suspensão, por 24 meses, de todas as parcelas vencidas e vincendas de custeio e investimento para os municípios que decretaram estado de emergência com a seca", explica.

Cerca de 75 mil agricultores já estão sendo indenizados pelo Garantia Safra, referente à colheita de 2010/11, o que representa quase R$ 42 milhões já liberados. Para a situação atual, segundo Guadagnin, estão sendo feitas as inscrições para a garantia do benefício na próxima safra, com aproximadamente 150 mil agricultores baianos já inscritos no processo. A expectativa do governo é alcançar quase 200 mil produtores. Para os produtores receberem o benefício do Garantia Safra, a comunicação das perdas deve ser feita pelas prefeituras dos municípios.

Aos produtores que sofrem com os períodos de seca, Guadagnin destaca a linha de crédito para Reservas Hídricas, que pode ser financiado pelo Banco do Nordeste ou Banco do Brasil. Pelo menos 50% do recurso tem que ser destinado para reserva hídrica (barragem, cisterna, canalização, abertura de poços) e tem juros deapenas1%."É pouquíssimo utilizado e vale a pena", destaca Guadagnin.

Subsistência

A seca acabou com toda a produção de subsistência do produtor e presidente da Associação Comunitária de Lagoa de Fora, Derisval dos Santos, do município de São Gabriel, próximo a Irecê. Sem água e

custeio para o plantio do feijão,milho e mamona,ele conta com a ajuda da aposentadoria dos pais e do Bolsa Família, cerca de R$ 130. "Hoje não está produzindo nem para o consumo próprio. É in-calculável o prejuízo", conta. O clima seco reduziu até a produção dos perímetros irrigados. Segundo o vice-presidente do Instituto da Fruta, Josival Barbosa, a produtividade de melancia, que era em média de 30 toneladas por hectare, caiu até 30% devido ao clima. Com isso, o preço quase dobrou, passando de cerca de R$ 0,25 o quilo para R$ 0,50. "A floração da manga falha em até 60%, mesmo aplicando os indutores de florescimento", explica ele. Para manter a produção, os agricultores têm consumido cerca de 30% a mais de água nas plantações.

"O número de agricultores familiares que comunicaram perda foi menos de mil. (…) Quem tem custeio agrícola tem de fazer o comunicado à agência bancária onde contratou financiamento"

Fonte: A TARDE – BA  | ALANA FRAGA | Linear Clipping :: CONAB

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