Agricultores cobram devolução de área invadida à pesquisa

 

Além de concentração, grupo fez tratoraço da zona rural até a cidade de Castro.

Além de concentração, grupo fez tratoraço da zona rural até a cidade de Castro.

Autor: André Anelli, especial para a Gazeta do Povo

Cerca de 120 produtores rurais da região de Campos Gerais realizaram nesta quinta-feira (3), em Castro, manifestação contra a ocupação do Movimento Sem Terra (MST) na Fazenda Capão do Cipó. Desde o último dia 24, cerca de 150 famílias estão acampadas no local, utilizado para realização de pesquisas de campo pela Fundação ABC.

Cerca de 120 pessoas participaram da manifestação contra invasão que ocorreu em 24 de agosto.

Para evitar confronto direto com o MST, a manifestação ruralista teve início no Parque de Exposições Dário Macedo, na zona rural, e seguiu em carreata, acompanhada de 69 tratores, até o Parque Lacustre, zona central de Castro. A categoria defende que a fazenda continue sendo utilizada pela Fundação, no desenvolvimento de pesquisas agropecuárias.

Os integrantes do MST continuam acampados na propriedade e restringem a entrada de funcionários na sede da entidade. O movimento alega que a área onde se encontra a fazenda é pública, e não poderia ser ocupada por uma entidade privada.

“Temos centenas de famílias esperando por reforma agrária no sul do Paraná, há mais de dez anos, mas nossos direitos não são garantidos. A constituição diz que toda terra pública deve ser destinada à reforma agrária”, diz Joabe de Oliveira, um dos coordenadores da ocupação.

Segundo a Fundação, ainda não é possível calcular os prejuízos para os projetos de pesquisa provocados pela ocupação, que completa duas semanas na próxima segunda. Pelo menos uma pesquisa de integração entre pecuária e agricultura teve de ser suspensa. Vacas utilizadas para o estudo já foram retiradas do local.

A Fundação diz que a Fazenda Capão do Cipó é berço do plantio direto há mais de 40 anos e que as pesquisas realizadas no local permitiram avanços sobre estudos de conscientização do uso de defensivos agrícolas, rotação de culturas, introdução de silagem de milho úmido e da silagem pré-secada na alimentação animal, entre outros avanços.

O MST diz que não tem previsão de desocupação da área, pois espera que a fazenda seja repartida entre as famílias ou que a fundação compre outra propriedade, com potenciais agropecuários semelhantes.

Duas áreas de pesquisa foram invadidas pelo MST no Paraná em agosto. Além da fazenda em Castro, uma ocupação maior, com 1,3 mil famílias foi registra em Londrina. Os ocupantes tomaram a Fazenda Figueira, que tem 3,7 mil hectares e fica no distrito de Paiquerê.

A área era usada em pesquisas da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz, de Piracicaba (Fealq), instituição ligada à Universidade de São Paulo (USP). A Fealq, instituição privada sem fins lucrativos, é proprietária do imóvel.

Fonte : Gazeta do Povo