Agricultor da UE teme oferta maior ao Mercosul

A União Europeia (UE) avisou ao Mercosul que só no último momento vai aumentar a oferta agrícola, incluindo mais acesso para carne bovina e etanol no mercado europeu, com tarifa baixa, para concluir a negociação do acordo birregional de comércio. No dia 28 começará outra rodada de negociações em Bruxelas entre os dois blocos, e a expectativa é que, no mínimo, a UE sinalize a dimensão da oferta que será colocada na mesa, para que seja anunciado pelo menos um acordo político em dezembro em Buenos Aires.

Nesse cenário, a poderosa central agrícola europeia Copa-Cogeca denunciou ontem que a UE se movimenta para elevar a oferta agrícola em troca de concessões do Mercosul para outros setores. Em comunicado, a entidade alega que aumentar a cota para carne bovina para o bloco seria um perigo para a saúde pública e os objetivos europeus de mudança climática.

A Copa-Cogeca insiste que 86% da carne bovina importada pela Europa já vem do Mercosul, onde considera que a qualidade de rastreabilidade é inferior à europeia. Exemplifica que testes microbiológicos feitos depois do escândalo da Carne Fraca, 22 lotes de carne importada do Brasil foram apreendidas por não respeitar os requerimentos sanitários da Europa.

A posição defensiva da entidade na verdade mostra que um acordo, mesmo preliminar, pode enfim estar próximo, para troca de preferências recíprocas às empresas, podendo ampliar fortemente o comércio birregional.

Na área agrícola, a UE ofereceu em sua última oferta uma cota modesta de 70 mil toneladas de carne bovina com tarifa baixa para o Mercosul. Agora, em Bruxelas, os rumores em Bruxelas dão conta de cota que poderia ser de 78 mil, de 85 mil ou de 98 mil toneladas. Por sua vez, a UE tem reclamado que o prazo de liberalização do mercado do Mercosul, que seria para a maioria dos produtos industriais entre 12 a 15 anos, é muito longo, e espera redução importante para algo entre 8 e 10 anos.

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor

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