Agricultor americano recordista mundial de produtividade troca experiências com brasileiros

Kip Cullers chegou a produzir 173 sacas de soja e 392 sacas de milho por hectare

Juliana Gelatti

Ronald Mendes

Foto: Ronald Mendes / Agência RBS

Produtor divulga produtos no Brasil

O agricultor norte-americano Kip Cullers fala como se atingir níveis recordes de produtividade em diferentes culturas fosse algo corriqueiro. Mas, na verdade, foram 20 anos de intenso trabalho de pesquisa na propriedade de oito mil hectares na cidade de Purdy, estado do Missouri, na região centro-leste dos Estados Unidos, até desenvolver o fertilizante que aumenta a eficiência das plantas. Uma grande preocupação com a segurança alimentar mundial é o que motiva o agricultor de 50 anos em peregrinação pelo Rio Grande do Sul. Ele veio para trocar experiências com outros produtores e divulgar seus produtos, que já estão sendo produzidos em solo brasileiro, e que, agora, chegam ao Rio Grande do Sul por meio de uma parceria com a Camera.
Os estudos desse agricultor, que não cursou nenhuma faculdade, partem da convicção de que as raízes são a parte mais importante das plantas, e que as folhas devem fazer o melhor trabalho que puderem para absorver a luz do sol. Acreditando nisso, Cullers desenvolveu um fertilizante folhar que deixa mais escuro o verde das folhas e fortalece o crescimento das raízes. Isso tornaria os pés de soja, milho, laranja, algodão, cana-de-açúcar e outras plantas mais resistentes a doenças, insetos e até ao vento e à seca.
Foi assim que ele chegou a produzir 173 sacas de soja e 392 sacas de milho por hectare, na sua propriedade. No Brasil, a média de produtividade da soja é de cerca de 44 sacas por hectare, e do milho, de 70 sacas. Antes de montar a fábrica da Kip Cullers do Brasil, o produtor norte-americano fez testes em diferentes Estados brasileiros e conseguiu resultados ainda melhores do que os registrados no país natal.
O poder do sol
Cullers atribui à maior incidência da luz do sol no Brasil o aumento expressivo na produtividade da cana-de-açúcar e dos cítricos, especialmente. Nos testes do fertilizante com cana-de-açúcar feitos no Nordeste e no Sudeste, foi alcançado aumento de 28% na biomassa e de 14% no teor de açúcar. No caso da laranja, Cullers deixou os produtores paulistas com o queixo no chão ao conseguir a recuperação de árvores atingidas por greening, doença que provoca perdas e a morte da planta. Antes de serem atingidos, os pés de laranja testados produziam 800 caixas por hectare. Depois de afetadas e tratadas com o fertilizante, chegaram a produzir duas mil caixas.
Testes feitos com a soja e o trigo no Rio Grande do Sul também deram bons resultados. O engenheiro agrônomo e produtor rural de Giruá, Paulo Miguel Nedel, comprovou o efeito do produto:
— Na última safra, usei na soja, neste inverno, no trigo, e também no milho que está em fase de crescimento. No trigo, já pude comparar com outras áreas que não receberam o produto e percebi uma maior uniformidade nos perfílios (espigas) e as plantas cresceram mais saudáveis e resistentes. A produtividade aumentou, já que nasceram mais espigas por metro quadrado.
O custo de aplicação na soja, segundo Nedel, é o equivalente a duas sacas do grão por hectare.
Sem medo da competição
A meta do trabalho de Cullers é chegar a 200 sacas de soja por hectare, mas ainda não será nesta safra, já que os Estados Unidos vivem a pior seca de sua história. Os altos preços do produto não são animadores para ele, pois mostram a fragilidade da produção mundial de alimentos.
Cullers valoriza a abertura dos agricultores brasileiros para conhecer novas técnicas. Essa é a recompensa que ele busca ao se tornar empresário no Brasil, pois considera esse trabalho um hobby.

DIÁRIO DE SANTA MARIA

Fonte: Ruralbr

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