Agora, Tyson foca expansão no exterior

Depois de concentrar sua atuação nos Estados Unidos nos últimos anos, a americana Tyson Foods quer voltar as baterias para a expansão internacional, indicou na quarta-feira o novo CEO Noel White, em entrevista ao "The Wall Street Journal". White assumiu o cargo em setembro.

Nos EUA, a Tyson é a maior companhia de carnes em faturamento – US$ 38,2 bilhões no ano-fiscal de 2017 – e a principal rival da brasileira JBS, que fatura no mundo mais de US$ 50 bilhões.

A Tyson chegou a produzir carne de frango no Brasil, mas saiu do país – assim como do México – em 2014, vendendo as operações à JBS. Ao deixar o Brasil e o México, a Tyson alegou que as operações tinham pouca escala – a empresa era dona de uma pequena empresa no Estado do Paraná. Além disso, a empresa precisava de recursos e foco para digerir a aquisição da americana Hillshire Brands, empresa de alimentos processados pela qual pagou US$ 7,7 bilhões.

Ao "The Wall Street Journal", o CEO da Tyson evitou apontar alvos específicos. Ele também não mencionou o Brasil. No mercado, muitos argumentam que uma estratégia global em carnes implica investir no mercado brasileiro. No passado, a Tyson já chegou a flertar com a BRF, empresa de alimentos que hoje vive profunda crise.

Para a Tyson, investir fora dos EUA significa também diluir riscos, o que se revela cada vez mais relevante diante da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Neste ano, Pequim alvejou a suinocultura americana, ao sobretaxar a carne suína. O México fez o mesmo, reagindo à ofensiva protecionista do governo Trump.

"Você dilui os riscos se tiver operações fora dos EUA", reconheceu White. Nesse sentido, a Tyson já deu um passo, ao fechar a aquisição da Keystone da brasileira Marfrig Global Foods, por quase US$ 2,5 bilhões. Embora sediada nos Estados Unidos, a Keystone tem operações na China, Malásia e Tailândia. Para que o negócio seja concluído, só resta a aprovação do órgão antitruste da Coreia do Sul.

De acordo com o CEO da Tyson, a empresa agora redefiniu a estratégia para a China. A aposta é ter mais produtos com marca, comercializando itens como nuggets. Além disso, a empresa americana pode investir em novas fábricas para o processamento de frango.

Na China, a Tyson já chegou a fazer, antes da compra da Hillshire, pesados investimentos no desenvolvimento da cadeia agropecuária. No entanto, os constantes surtos de gripe aviária no país asiático e o enfraquecimento da taxa de expansão da economia chinesa minaram os esforços da Tyson. Conforme o "The Wall Street Journal", os problemas na China fizeram a Tyson Foods realizar um baixa contábil de US$ 169 milhões em 2015. (com Dow Jones Newswires)

Fonte : Valor