AGCO prevê novo corte na produção para Argentina

Depois de não exportar nenhuma máquina agrícola para a Argentina em fevereiro, a AGCO no Brasil comercializou poucas unidades em março e abril, com a emissão de algumas licenças por parte do país vizinho. Mesmo assim, a companhia pode voltar a reduzir sua produção destinada àquele país.

Ainda sem os números fechados do último mês, as empresas do grupo no Brasil não venderam nenhuma colheitadeira para a Argentina no primeiro trimestre de 2012, contra duas unidades no mesmo período de 2011 e 17 nos primeiros três meses de 2010. Já a exportação de tratores caiu de 202 unidades, de janeiro a março de 2010, para 44 no mesmo período de 2011 e 28 unidades em 2012, negociadas no ano passado e liberadas com licenças de 2011. Ainda restam 110 tratores na aduana aguardando liberação.

As imposições do governo argentino vão além das permissões para a entrada dos produtos brasileiros. O país exige o "equilíbrio" na balança comercial. Assim, as autorizações para a entrada da mercadoria estão condicionadas às compras de peças e componentes argentinos, como explica André Carioba, vice-presidente sênior da AGCO para a América do Sul. "Já compramos componentes argentinos, mas teremos de comprar mais", diz. O montante de compras é o mesmo permitido para a entrada dos equipamentos, uma moeda de troca.

Mas Carioba revela que as autorizações não são "automáticas", tudo é feito arbitrariamente, geralmente em "parcelas". Por isso, a empresa decide nestes dias o planejamento de julho e deve cortar novamente a produção. Em fevereiro, a companhia tinha anunciado cortes na produção com destino à Argentina de cerca de 10% da sua fabricação mensal no Brasil, aproximadamente 100 unidades a menos em março e 150 em abril. Sem citar o volume que será reduzido, Carioba afirmou que algumas centenas de máquinas deixarão de ser produzidas.

Ainda diante da pressão argentina e para não ficar atrás de seus concorrentes, a companhia vai instalar uma unidade fabril no país. Desde 2006, tem a montagem de um trator com a marca AGCO Allis no mercado local. Alguns modelos serão montados para o mercado argentino e exportados para países como o Chile, Paraguai, Uruguai e até para o próprio Brasil. "Será um custo adicional. Se o mercado fosse aberto e livre, não precisaria desse investimento", afirma, sem relevar o valor a ser colocado no novo projeto. Mas o investimento se justifica, na sua avaliação, porque a Argentina é o segundo maior mercado agrícola da América Latina, com potencial de crescimento. "O país tem uma participação muito forte na agricultura, e a gente não pode deixá-lo de lado".

Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *