Ações da BRF caem após piora nos resultados no primeiro trimestre

Após divulgar resultados abaixo dos esperados pelo mercado na noite de sexta-feira, a BRF – Brasil Foods, uma das maiores empresas de alimentos do país, viu suas ações recuarem 2,76% na segunda-feira, a terceira maior queda do Ibovespa, que no dia registrou retração de 0,21%.

O lucro líquido da companhia foi de R$ 153 milhões no primeiro trimestre do ano, 60% menos que no mesmo intervalo de 2011. A receita líquida cresceu 5% na comparação, para R$ 6,337 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) encolheu 35%, para R$ 532 milhões.

Para a corretora Concórdia a piora dos resultados é reflexo da queda do volume de vendas nas áreas de lácteos e food service, dos menores preços no mercado externo, sobretudo no Oriente Médio e no Extremo Oriente, e dos aumentos dos custos fixos e das despesas operacionais.

Em lácteos, a pressão veio dos leites UHT, mais conhecidos como longa vida. A receita operacional líquida da divisão subiu 0,9% de janeiro a março ante o mesmo período do ano passado, para R$ 600 milhões, mas o volume de vendas caiu 10,1%. A margem Ebitda, que já era negativa em 0,1% em 2011, caiu para 0,3%.

"Precisamos acertar uma maneira lucrativa de vender os leites fluidos, porque o faturamento desses produtos é alto, mas as margens estão cada vez mais baixas", afirmou Leopoldo Saboya, vice-presidente de finanças, administração e relação com investidores da BRF, em teleconferência com analistas Os lácteos são 10% do faturamento da BRF. Para reduzir sua dependência do UHT, a empresa lançou 27 produtos lácteos nos primeiros três meses deste ano.

No que se refere aos custos, um dos principais problemas foi a disparada do farelo de soja nos mercados internacional e doméstico. "Não bastassem os problemas de estocagem, que reduziram nossa lucratividade, o aumento do farelo faz pressionar as margens", disse Antonio do Prado Fay, presidente da BRF, na mesma teleconferência de segunda-feira. "Os grãos estão cada vez mais voláteis e essa inconstância terá que ser repassada aos preços", afirmou o executivo.

Para Leonardo Zanfelicio, analista da Concórdia, chamou a atenção a piora nas margens operacionais em todos os segmentos de atuação da companhia. "Nem mesmo os ganhos de sinergias de R$ 176 milhões foram suficientes para compensar a pressão de preços no mercado externo e os maiores custos e despesas operacionais no trimestre", disse.

Em relatório, Zanfelicio afirma que espera que os resultados da BRF – Brasil Foods "melhorem gradativamente ao longo dos próximos trimestres, em função da retomada do crescimento do mercado brasileiro e da volta à normalidade dos estoques de carnes nos mercados do Oriente Médio e do Extremo Oriente no segundo semestre".

Para o Bradesco, embora a expectativa de longo prazo para a companhia seja positiva, os resultados da empresa devem continuar a ser influenciados negativamente por uma combinação de elevados preços dos grãos e os preços baixos de exportação no curto prazo. "Isso nos leva a manter a nossa expectativa até vermos uma melhor perspectiva em termos de recuperação na margem", diz, também em seu relatório, o analista Ricardo Boiati.

O Bank of America (BofA) compartilha a opinião de que as exportações influenciaram os resultados da companhia. Para Fernando Ferreira, "apesar de as receitas de exportação terem permanecido estáveis, as margens de exportação foram negativas e foram a razão principal por trás do fraco primeiro trimestre". Entretanto, o BofA acredita que a fraqueza nas exportações é temporária, e não de natureza estrutural.

Fonte: Valor | Por Daniela Meibak, Luiz Henrique Mendes e Fernanda Pressinott | De São Paulo

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