Aepet critica leilão de área do pré-sal

No dia 21 de outubro, o governo federal pretende promover o leilão do campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. No entanto, esse certame não aconteceria se dependesse da vontade da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Para Raul Tadeu Bergmann, diretor da Aepet, os valores que o Brasil receberá pela área representarão uma “mixaria” perto do potencial de exploração de petróleo.
O engenheiro salienta que será leiloado o maior campo de petróleo descoberto nas últimas décadas no mundo, com perspectiva de alcançar reservas de até 12 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). “Já está descoberto e mapeado e vai ser leiloado. Isso é um absurdo”, lamenta o dirigente da associação.
Pelo edital, sairá vitorioso do leilão o consórcio que oferecer à União o maior percentual do lucro em óleo, atendendo ao patamar mínimo de 41,65%. O vencedor da disputa também deverá pagar um bônus de assinatura de R$ 15 bilhões pela exploração da área. O leilão do campo de Libra será o primeiro pelo regime de partilha, em que a petroleira divide parte do lucro com o governo federal, diferentemente do modelo de concessão.
Nesse contexto, Bergmann afirma que R$ 15 bilhões correspondem a menos do que 0,6% do valor da jazida. O dirigente adianta que a Aepet está brigando na Justiça e no Congresso para bloquear o leilão. Contudo, Bergmann avalia que o governo está sendo pressionado por diversos interesses externos para realizar o certame.
O diretor da Aepet enfatiza que o pré-sal representa um marco para o País. De acordo com o engenheiro, as reservas do pré-sal são estimadas em aproximadamente 100 bilhões de boe, podendo chegar a 300 bilhões de boe, o que equivale, segundo Bergmann, a cerca de US$ 10 trilhões, mais do que quatro vezes o PIB do Brasil.
Sobre a Bacia de Pelotas (situada na costa gaúcha), Bergmann admite que há potencialidade para encontrar jazidas de petróleo na região. Porém, o dirigente propõe uma indagação: “o que tu farias, investiria aqui, fazendo uma prospecção com 5% de chances, ou em outro lugar, com 40%?”. Ou seja, a Bacia de Pelotas não é tão atrativa como as áreas do pré-sal, por exemplo, por não apresentar indícios tão claros da presença de petróleo ou de gás. “É tudo questão de prioridade”, conclui o dirigente. Bergmann foi o palestrante da reunião-almoço do Conselho Deliberativo da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), realizada ontem, em Porto Alegre.

Fonte : Jornal do Comércio | Jefferson Klein

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