Advogada dos brasiguaios pede ajuda ao Senado para resolver conflitos

Cautelosos, os senadores ressaltaram que a questão deve ser resolvida respeitando a soberania do Paraguai

por Agência Brasil

Carlos Bottino/EFE

Grupo de sem-terra acompanhado por jornalistas na cidade de Ñacunday, epicentro do conflito com os agricultores no Paraguai (Carlos Bottino/EFE)

A advogada dos produtores rurais brasileiros no Paraguai,Marilene Sguarizi, pediu nesta segunda-feira (27/2) ajuda aos senadores do Brasil para que intervenham perante o governo paraguaio para pôr fim aos conflitos por terra na fronteira entre os dois países. Segundo Shuarizi, os brasileiros compraram as terras no Paraguai legalmente e têm seu direito reconhecido pela lei, mas um decreto presidencial tem propiciado brigas judiciais e invasões de terra. “Nós solicitamos comunicações entre os governos para que esses direitos adquiridos possam ser realmente respeitados”, afirma a advogada.
Marilene Sguarizi fez um relato dos conflitos que envolvem invasões de terras de brasileiros, violência com os trabalhadores sem terra do país vizinho e falta de ação das autoridades paraguaias em uma audiência pública naComissão de Relações Exteriores do Senado.
Cautelosos, os senadores que participaram da reunião lembraram que o Paraguai é um vizinho amigo e que a questão deve ser resolvida respeitando a soberania do país. A maior parte deles declarou que é necessário ser solidário com os chamados brasiguaios – cidadãos brasileiros que vivem no Paraguai ou filhos de brasileiros nascidos no país vizinho. “Não podemos recusar solidariedade aos brasileiros que estão regularmente em terras paraguaias. Mas não podemos confundir solidariedade com antagonismo em relação aos nossos amigos paraguaios”, declarou o senadorCristovam Buarque (PDT-DF). Ele lembrou que Brasil e Paraguai têm um histórico de guerra que deixou “marcas profundas”.
Ao fim da audiência, o ministro da embaixada do Paraguai, Didier Adorno, entregou aos senadores uma carta em que o presidente paraguaio, Fernando Lugo, se compromete a trabalhar para pôr fim aos conflitos. No documento, Lugo ratifica que a ação governamental irá respeitar a lei vigente e o estado de direito e que o poder judiciário do país ficará encarregado de extinguir os conflitos. Além disso, ele se compromete a trabalhar pelo respeito aos direitos dos produtores que adquiriram terras legalmente.
O ministro reconheceu que as invasões de terras de brasileiros pelo grupo de trabalhadores sem terra paraguaios é resultado de uma “reforma agrária mal-sucedida” e garantiu aos senadores que o problema é isolado e não reflete uma hostilidade generalizada em relação aos produtores brasileiros no país. “Não é um problema que afeta exclusivamente os brasileiros, afeta paraguaios e estrangeiros”, declarou o ministro durante a audiência.

Fonte: Globo Rural

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