Ad’oro, de Várzea Paulista, admite ‘crise passageira’ e pede recuperação judicial

A Ad’oro, empresa especializada em abate de frangos localizada no município de Várzea Paulista, a 54 quilômetros da capital de São Paulo, não resistiu a uma crise financeira que considera passageira e ingressou com pedido de recuperação judicial.

"Apesar de obter apoio desde logo de vários credores, seja através da concessão de parcelamento, seja através de novas linhas de crédito, outros preferiram nos pressionar a realizar pagamentos imediatos e cortando nosso crédito, e portanto entendemos que a recuperação judicial seria um caminho correto para não privilegiar justamente os que não nos apoiaram, prejudicando os que sempre nos estenderam as mãos", afirma a companhia em mensagem enviada no dia 23 a "fornecedores, clientes e parceiros".

O Valor procurou o presidente da Ad’oro, Caio Lutfalla, para apurar mais detalhes sobre a situação e a decisão da empresa, mas não obteve retorno. Na mesma mensagem, contudo, a Ad’oro lembra que diversas outras empresas do segmento de carnes pediram recuperação judicial nos últimos anos e que a sua situação atual é "plenamente reversível".

Nesse contexto, a Ad’oro garantiu que "permanece com total liberdade negocial/comercial, sendo representados normalmente por seus sócios, diretores e funcionários". E informou que conta com a ajuda de profissionais especializados em reestruturação de empresas e seus passivos. A reportagem não conseguiu confirmar o montante do passivo que levou a empresa a entrar com o pedido de recuperação judicial.

Fundado em 1989 pela família Lutfalla, o frigorífico Ad’oro tem na região metropolitana de São Paulo seu foco principal de atuação. Além da sede em Várzea Paulista, a companhia, de acordo com informações disponíveis em sua página na internet, conta com unidades nos municípios de São Carlos, Rio Claro, Itupeva e São Paulo, que em 2007 produziam cerca de 9,5 mil toneladas de produtos acabados – congelados e resfriados – por mês.

Além das unidades produtivas, que têm capacidade de abate de 182 mil aves por dia, as fábricas de ração podem produzir 24 mil toneladas por mês. A Ad’oro conta, ainda, com um centro de distribuição com capacidade para mil toneladas em Itupeva (SP).

A Ad’oro ganhou repercussão nacional em 1997, depois de denúncia de superfaturamento de carne de frango em vendas para a Prefeitura de São Paulo na gestão do hoje deputado federal Paulo Maluf (PP), no caso que ficou conhecido como "Frangogate". Na época, a empresa, que forneceu cortes de frango para a prefeitura entre 1996 e 1997, era presidida por Fuad Lutfalla, pai de Caio e cunhado de Maluf. No fim de 2010, decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) absolveu Maluf da acusação de superfaturamento. Segundo a mesma decisão, a prefeitura economizou R$ 200 mil.

Mais em www.adoro.com.br

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *