Acordo UE-Canadá não deve afetar pecuária brasileira no curto prazo

AP 

Canadenses tendem a priorizar o atendimento de mercados onde podem vender carne de bovinos tratados com hormônio

O acordo de livre comércio entre União Europeia e Canadá garante mais acesso da carne bovina canadense ao mercado europeu, mas pelo menos no curto prazo não apresenta riscos para os produtores brasileiros, pelas avaliações em Bruxelas. Assinado no domingo, após sete anos de negociações, o Acordo Econômico e Comercial Global (Ceta, na sigla em inglês) deverá entrar em vigor em março ou abril de 2017, depois de aprovado formalmente pelo Parlamento Europeu.

Um dos elementos mais importantes para o Canadá nesse acordo é justamente a maior abertura para sua carne bovina, por meio de uma nova cota de 45.838 toneladas livre de tarifa. A UE garante também para o Canadá uma cota de 3 mil toneladas para a entrada de carne bovina de alta qualidade. Além disso, a preferência ao Canadá vai se manifestar na cota Hilton, de 11.500 toneladas, que é dividida com os Estados Unidos. Desde que o acordo entrar em vigor, os produtores canadenses ficam livres de pagar tarifa, enquanto os americanos vão continuar sendo taxados com alíquota de 20%.

No entanto, para Jean-Luc Meriaux, secretário-geral da União Europeia de Comércio de Gado e Carnes, entidade com sede em Genebra que representa importadores, o volume adicional dos canadenses não afetará no curto prazo nem os produtores europeus nem os brasileiros. Em primeiro lugar, porque o Canadá não terá condições para ampliar a exportação por ao menos três ou quatro anos. Além disso, os canadenses, assim como os produtores dos EUA, continuam a priorizar mercados como México, Japão e Coreia do Sul, para onde podem seguir vendendo carne com hormônio.

Já para o mercado europeu, observa Meriaux, o Canadá precisa aumentar os custos de produção para atender aos padrões comunitários. "O Canadá vai continuar vendendo para mercados nos quais não vai ter custo de produção suplementar". O Brasil é o maior exportador de carne bovina para o mercado comum europeu. Entre janeiro e agosto, as importações europeias totais aumentaram 3,5%, mas as compras do Brasil cresceram 7%. Dos EUA, os europeus importaram 20% a menos, por causa da alta do dólar.

Meriaux não esconde que, na verdade, a grande inquietação atualmente é com o consumo moroso de carne bovina no Velho Continente. Isso se explica tanto pela crise econômica como por uma real mudança nos hábitos dos consumidores. Pesquisas preliminares apontam diminuição no consumo de carnes bovina e suína e aumento no consumo de carne de frango nos últimos meses. No acordo UE-Canadá, carnes de frango e de peru foram excluídos de redução tarifária, já que foram consideradas sensíveis para a Europa.

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor

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