Acordo obtido com americanos foi "o possível", diz entidade

"Os americanos alegavam que a fonte do recurso não autorizava o uso em pesquisas. Não tínhamos muito tempo, por isso, cedemos. Era pegar ou largar", lembra o presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha, sobre as negociações que culminaram na inclusão, no acordo final, em 2011, da cláusula que proibiu aplicar em pesquisas os recursos pagos pelos Estados Unidos. Essa cláusula só foi flexibilizada no fim de 2014, com a assinatura de um outro memorando de entendimentos. Foi quando foi permitida a pesquisa, mas em parceria com universidades ou instituições americanas, lembra Cunha.

O Brasil apresentou em 2002 na Organização Mundial do Comércio (OMC) o questionamento contra os bilionários subsídios dados aos Estados Unidos aos seus produtores de algodão. A primeira vitória dos brasileiros ocorreu em 2004, mas a decisão final, depois de uma série de apelações feitas pelos americanos, só veio mesmo em junho de 2008. Após os EUA descumprirem a decisão, a OMC autorizou a retaliação pelo Brasil, foi quando um acordo foi finalmente firmado, em 2011.

Os primeiros depósitos feitos pelos americanos ocorreram em 2012, e, desde então, US$ 850 milhões entraram no caixa do IBA. Até agora, segundo Cunha, foram investidos R$ 510 milhões, dos quais R$ 248 milhões no ano passado. Com as restrições para investir em pesquisas, os recursos foram aplicados em outras áreas, como qualificação profissional, sustentabilidade, classificação da pluma.

Em linhas gerais, os produtores estão construindo uma extensa rede de serviços com os recursos, como centros de treinamentos, laboratórios de análise de fibras e monitoramento de doenças e pragas nas lavouras. Já está disponível também desde 2015 o serviço de locação de colheitadeiras de algodão de última geração aos produtores que não dispõem dessas máquinas. "A ideia é que esses projetos consigam se manter sozinhos ao longo dos próximos anos", diz o presidente do instituto.

Neste ano, o IBA pretende investir R$ 250 milhões em projetos, praticamente o mesmo volume de 2015. Muitos dos investimentos são continuidade de projetos iniciados no ano passado, como centros de treinamentos e assistência técnica, além da segunda fase do laboratório de análise de fibra, implantado em Brasília.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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