Acordo final posterga as decisões para 2015

A Rio+20 só não é um fracasso porque a expectativa em torno dos resultados da conferência sempre foram muito baixos. O Brasil conseguiu o que queria com o documento-base, que agora será apresentado aos chefes de Estado: evitar o retrocesso em pontos já acertados na Rio92, há 20 anos. O maior avanço, no entanto, se resume à criação de uma agenda para os próximos três anos. Mais uma vez, o sistema multilateral foi salvo. Mas a distância entre o que os governos avançaram em seu acordo de ontem, no Riocentro, e o que a ciência tem constantemente indicado que se faça, continua imensa.

O texto-base “O Futuro que Queremos” dificilmente será reaberto nos próximos dias. Tem 283 parágrafos em 49 páginas. Não entrará para a história e nem é especial. Se tem algum mérito é o de abrir alguns processos importantes – que só no futuro se saberá se funcionaram –, como aumentar a consciência sobre esse debate no Brasil e incentivar a postura sustentável dos negócios. A governança institucional do desenvolvimento sustentável e do ambiente, no sistema das Nações Unidas, também avançou.

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Depois de aceitar o texto apresentado em plenária pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota – o que levou 30 segundos, sem nenhuma objeção dos delegados de 193 países –, os negociadores começaram a elogiar o trabalho da diplomacia brasileira e a fazer seus comentários. “Chegamos aqui com 30% do texto acordado e hoje temos um texto 100% acordado por 193 países”, disse Patriota, ao término da plenária. Só que o Brasil esteve sempre na defensiva e, na prática, a Rio+20 apenas cria grupos de trabalho para que planejem o desenvolvimento sustentável nos próximos dois anos. Decisões concretas, com metas e objetivos, não saíram do Riocentro.

Em oceanos o Brasil teve sua maior derrota. A proposta defendida pelo país e pela Europa era que se abrisse um processo para criação de um mecanismo legal que protegesse os oceanos em áreas de alto-mar e regulamentasse a exploração da biodiversidade em regiões fora das jurisdições nacionais. A proposta enfrentou resistência.

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Fonte: Valor | Por Daniela Chiaretti | Do Rio

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