Acionistas da Taurus aprovam reestruturação

Fonte: Valor | Sérgio Bueno | De Porto Alegre

Parcela de ações com direito a voto nas mãos do controlador será reduzida de 94,1% para 43,8%.

Os acionistas da Forjas Taurus aprovaram a reestruturação societária que prevê a diluição da participação do controlador, o diretor-presidente Luis Fernando Costa Estima, em troca da incorporação, pela companhia, da holding Polimetal junto com uma dívida financeira de R$ 165 milhões.

O empresário, que terá a fatia sobre as ações ordinárias (ON) da empresa reduzida de 94,1% para 43,8%, também deixará a presidência executiva e permanecerá como presidente do conselho de administração, o que deve ocorrer dentro de 40 dias. O substituto será recrutado no mercado.

Segundo a Taurus, a reestruturação foi aprovada por 52,1% dos acionistas não controladores, que no total detêm 68,6% do capital (incluindo 99,9% das ações preferenciais e 5,9% das ações ordinárias). O banco de investimentos Geração Futuro, que tem cerca de 34% das preferenciais (PN), se absteve, mas não quis comentar o assunto, enquanto o fundo Fundamenta, com 0,15% das ações PN, foi o único voto contrário. Conforme previsto no edital de convocação, o acionista controlador não participou desta deliberação.

O plano estabelece que parte das ações ordinárias pertencentes a Estima, diretamente na pessoa física ou por intermédio da Polimetal, será distribuída proporcionalmente aos demais acionistas. A Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que detém cerca de 30% das PN, por exemplo, receberá 14,4% das ON, segundo o diretor executivo de finanças, Felipe Saibro Dias. A Geração terá direito a 17,5% das ON, mas como se absteve poderá exercer o direito de recesso de até R$ 3,30 por ação detida atualmente, 2,1% abaixo da cotação de fechamento de sexta-feira.

O plano inclui ainda a adesão da empresa ao nível 2 de governança da BM&FBovespa, a adoção de "tag along" de 100% aos minoritários, o que garante o recebimento do mesmo valor pago pelas ações do bloco de controle em caso de venda da companhia.

Os dividendos passarão de 25% do lucro líquido ajustado em base anual para 35%, com base semestral, e os detentores de ações preferenciais terão direito a voto em matérias como transformação, incorporação, fusão ou cisão da Taurus. Essas mudanças foram aprovadas também com o voto do controlador.

Com a reestruturação, o conselho de administração foi ampliado de seis para sete integrantes. Da formação anterior, permaneceram apenas Estima como presidente e Oscar Galli como representante dos minoritários. Entraram Luis Fernando Costa Estima (sobrinho do presidente), Paulo Mubarack e Paulo Bueno, representando o controlador, Danilo Angst, pelos minoritários, e Sadi Assis Ribeiro Filho, indicado de comum acordo entre as duas partes.

Com a incorporação da dívida da Polimetal, o endividamento financeiro líquido da Taurus passará de R$ 183,3 milhões para R$ 348,3 milhões e de 1,33 vez para 2,53 vezes o lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 137,8 milhões de 2010. Do débito total, R$ 45 milhões serão pagos à vista, o que provocará uma redução do caixa para R$ 143,7 milhões. O restante já está negociado com os bancos credores para ser refinanciado em cinco anos.

A ação PN fechou em R$ 3,37 na sexta-feira, queda de 3,7%.