Acionista relevante da BRF vende ações na recompra

A BRF anunciou em 28 de agosto um programa de recompra de ações com prazo de seis meses. Pouco mais de um mês depois, no entanto, em 6 de outubro, a empresa informou o encerramento do programa, que alcançou 1,7% do capital da empresa ao preço médio de R$ 69,80.

No mesmo comunicado, a BRF informou também que estava "encerrado o período de vedação à negociação das ações da companhia a pessoas vinculadas".

Dez dias depois, em 15 de outubro, a empresa divulgou o formulário mensal que informa se diretores, controladores ou conselheiros, pessoas que podem ter informações relevantes, negociaram com ações da companhia.

Em setembro – durante a recompra, portanto -, no campo "maiores acionistas", a BRF reporta a venda de 1,1% de seu capital em operações feitas diariamente na bolsa de 4 de setembro a 5 de outubro. Aparentemente, o acionista relevante que vendeu as ações foi o fundo de pensão Petros.

A BRF justificou a recompra como uma "aplicação eficiente" de seu caixa. Uma empresa faz essa operação se avalia que o preço de sua ação está barato. No caso da BRF, ao mesmo tempo, um acionista relevante entendeu que o preço já favorecia a venda dos papéis.

Além da diferença de sinalizações, a questão é se as duas coisas deveriam ter acontecido ao mesmo tempo e se, apesar de a BRF ser um papel de liquidez na bolsa, a recompra não favoreceu as vendas do acionista. Ou ainda se a venda do acionista não proporcionou a rápida conclusão da recompra.

A BRF informa que nem todos os seus maiores acionistas são necessariamente pessoas vinculadas, apesar de ter lançado a venda no formulário que, pela Instrução CVM 358, pede a divulgação de negociação de papéis de pessoas que possam ter informação relevante sobre a empresa, uma característica de pessoa vinculada. A Petros também informou que não é pessoa vinculada da empresa.

A BRF tem três acionistas relevantes que, apesar de não terem o controle de fato da empresa, têm definido seus rumos nos últimos anos. A gestora de recursos Tarpon tem 10,49% e, se tivesse feito as vendas teria reduzido sua participação para menos de 10% e deveria ter divulgado a informação. A Tarpon não comentou. Os outros dois acionistas são os fundos de pensão Previ, com 10,03% e Petros, com 12,49%.

A Previ afirma que não vendeu ações da BRF durante o período de recompra, embora tenha reduzido sua participação na BRF nos meses anteriores, de 11,49% para os atuais 10,03%. A fundação dos funcionários do Banco do Brasil diz que considera a BRF um ativo de grande valor e com boa gestão.

Em entrevista ao Valor no início do mês, o presidente da Petros, Henrique Jäger, comentou que a Petros estava vendendo ações de algumas empresas e, no caso da BRF, apesar da redução da posição ela não havia caído abaixo de 10%, por isso não houve divulgação. Os fundos de pensão têm migrado investimentos da renda variável para renda fixa, por conta da alta dos juros.

No caso da Petros, o déficit acumulado é de R$ 6,2 bilhões. Neste ano, a Petros deixou de indicar um conselheiro para a BRF, embora tenha afirmado que se sentia representada no conselho da empresa.

Em setembro, as vendas de "maiores acionistas" da BRF somaram cerca de R$ 645 milhões, o dobro do valor de agosto, mês que deve ter concentrado também vendas da Previ. O preço médio das operações do acionista foi de R$ 70, 72. Três corretoras fizeram a recompra para a BRF: Bradesco, Itaú e Merril Lynch. A corretora do Itaú foi uma das nove que intermediou as vendas do acionista relevante.

Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio
Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *