Acionista da Minerva lucra com aumento de capital

Os acionistas da Minerva Foods que acompanharam o aumento de capital privado de cerca de R$ 1 bilhão feito em dezembro pela companhia de carne bovina estão no lucro – pelo menos até aqui.

Na prática, aqueles que subscreveram as ações emitidas pela empresa brasileira pagaram R$ 6,42 por cada papel. Em troca, também receberam um bônus de subscrição de novas ações da Minerva, que pode ser negociado na bolsa e vence em 2021. Atualmente, o combo (as ações compradas e os bônus recebidos) vale R$ 8,97, o que significa uma valorização de quase 40%.

Acionistas controladores, a Salic, gestora do reino da Arábia Saudita, e a família Vilela de Queiroz foram os principais beneficiados pela aposta feita em um momento no qual os investidores demonstravam preocupação com o excessivo endividamento da Minerva – a empresa teve prejuízo de R$ 1,2 bilhão em 2018.

Ao todo, a empresa emitiu 150,2 milhões de novas ações em dezembro. Um volume semelhante de papéis foi distribuído em bônus de subscrição, instrumento derivativo que tem o mesmo efeito prático de uma opção de compra das ações da Minerva. Os papéis podem ser convertidos em ações da empresa, por R$ 6,42, até o fim de 2021. O acionista pode converter as ações uma vez por mês. Alguns até já o fizeram e posteriormente venderam os papéis por R$ 6,80, apurou o Valor. Na prática, tiveram um lucro de 5,9%.

Das 150,2 milhões de ações emitidas, 81,7% foi subscrito por Salic e VDQ, o veículo de investimentos da família Vilela de Queiroz que tem cinco assentos no conselho de administração. Fernando Galletti de Queiroz, um dos principais cotistas da VDQ, é o presidente-executivo da Minerva. Atualmente, a Salic tem 32,9% das ações da companhia e a VDQ, 29,1%. Antes do aumento de capital, os sauditas tinham 21,1% e os Vilela de Queiroz, 27,8%.

Majoritários no aumento de capital, Salic e VDQ são também, consequentemente, os maiores detentores dos bônus de subscrição, que na sexta-feira valiam R$ 2,25 na B3. As cotações dos bônus – negociados na bolsa com o código BEEF11 – variam conforme as próprias ações da Minerva, o prazo de vencimento (2021) e a volatilidade dos papéis da empresa. No acumulado de 2019 até dia o 15, as ações da Minerva se valorizaram 34,6%, de R$ 4,99 para R$ 6,72.

Para a Minerva, o bônus de subscrição também representa a possibilidade de uma nova injeção de capital, de cerca de R$ 1 bilhão, no fim de 2021, quando os bônus vencerem. Em teoria, essa nova injeção poderia sustentar eventuais investimentos da empresa em aquisições.

Embora isso hoje não esteja no radar da Minerva, que se prepara para abrir o capital da subsidiária Athena Foods na bolsa de Santiago (Chile) para seguir reduzindo dívidas, não se pode descartar que, em três anos, não existam oportunidades de aquisição para ampliar a produção de carne bovina ou o negócio de distribuição de alimentos no Oriente Médio, áreas nas quais a companhia brasileira já demonstrou interesse.

Os investidores que participaram do aumento de capital têm, no entanto, uma alternativa mais atraente para 2021. Se as operações e o caixa da Minerva estiverem em ordem, a empresa poderia até mesmo recomprar os bônus de subscrição e monetizar o acionista. O total de bônus de subscrição no mercado vale hoje mais de R$ 330 milhões. Há quatro meses, esse montante sequer existia.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte: Valor