Acesso a crédito rural emperrado no Estado

Fonte: Correio do Povo

Sem efetivação de renegociações, pequeno produtor teme perda de prazo

Dez dias após a aprovação pelo Conselho Monetário Nacional da criação da Linha Especial de Recomposição de Dívidas da Agricultura Familiar, que permitirá a pequenos agricultores saírem da inadimplência que impede a tomada de dinheiro para custeio da safra 2011/2012, nenhuma operação de renegociação foi realizada no Estado. Instituições financeiras que operam o crédito rural estão ajustando seus sistemas de acordo com as resoluções do Bacen. O calendário preocupa entidades, já que o financiamento da nova safra só pode ser tomado dentro do período recomendado para o plantio. No caso da soja, o prazo do zoneamento estoura em 20 de dezembro, e no do milho, em 20 de janeiro de 2012. O assessor de Política Agrícola da Fetag, Airton Hochscheid, diz que os bancos estão fazendo sua parte e que o problema foi a espera de 35 dias entre o anúncio das medidas pela União, em 13 de outubro, e a votação no CMN, em 18 de novembro. Além de pagar juros mais altos no setor privado, o produtor que não conseguir tomar recursos públicos plantará sem cobertura de seguro, preocupação que cresce com a perspectiva de déficit hídrico. Principal repassador de recursos para o setor no RS, o Banco do Brasil trabalha sem parar para automatizar ao máximo o processo e evitar a demora no atendimento. A intenção é que as agências possam iniciar a renegociação a partir da próxima semana, prevê o gerente de Mercado do Agronegócio do BB, João Comerlato. O mesmo está fazendo o Banrisul, onde a equipe técnica está adequando os sistemas e preparando as medidas operacionais para que, em curto período, os formulários estejam nas agências. O Sicredi avalia a norma.
A Fetag não arrisca estimativa de quanto dos 50 mil produtores beneficiados pela renegociação perderão o prazo. O temor é que o produtor reduza tecnologia ou deixe de plantar.

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