ACC e bônus ‘travam’ venda de ativos do Independência

A JBS, maior empresa de proteína animal do mundo, obteve ontem a aprovação da maioria dos 700 credores do frigorífico Independência para comprar ativos da empresa, em recuperação judicial desde maio de 2009.

Agora, depois desse aval, a JBS terá de entrar em uma intensa negociação com instituições bancárias que estão fora da recuperação, os chamados credores extraconcursais. O grupo é formado, principalmente, por bancos que anteciparam, a partir de contratos de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), recursos à empresa para exportações.

Como já informou o Valor, a JBS ofereceu, no total, R$ 268 milhões pelos ativos do Independência. Desse montante, R$ 138 milhões serão destinados aos credores incluídos na recuperação. O restante – que gira em torno de R$ 60 milhões – deverá ser destinado aos chamados credores extraconcursais. "A JBS já informou que não está disposta a colocar mais nem um tostão. O dinheiro terá que ser suficiente para pagar todo mundo, e aí há desafios a aprovação", afirmou à reportagem uma fonte diretamente envolvida nas negociações.

De acordo com o advogado que representa o Independência, Pedro Gasparini, do escritório Gasparini, De Cresci e Nogueira de Lima Advogados, o problema financeiro da empresa não está resolvido. "Tão ou mais importante é o acordo com os extraconcursais", afirmou, acrescentando que a proposta da JBS está "claramente" dividida entre as negociações com os credores abarcados pela recuperação e os que estão fora dela. Segundo o advogado, a primeira etapa já foi significativa para o levantamento do frigorífico.

A proposta ainda depende, também, do aval dos detentores de bônus da dívida do Independência, que são conhecidos como "bondholders". Bancos e fundos de investimento são os principais detentores desses papéis.

A JBS propôs saldar essa dívida com um desconto de 85% sobre o valor de face dos títulos, que expiram em 2015. De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, a dívida gira em torno de R$ 130 milhões. Esse débito faz parte dos R$ 268 milhões oferecidos pela JBS – que continuará com a assessoria do BTG Pactual nas negociações.

Mas, ontem, pelo menos a primeira fase desse processo terminou com êxito. Em assembleia realizada em um hotel de São Paulo, três dos quatro credores com garantia real presentes – os bancos, dentre eles – aprovaram a proposta. Enquanto que 85 dos 147 credores quirografários, em que figuram os pecuaristas, aceitaram a oferta. Os bancos receberão quase 40% do valor aprovado. Já os quirografários, em que figuram os pecuaristas, receberão 2% do crédito.

Anunciado em 23 de abril, a oferta da JBS foi posta em votação em assembleia de credores no dia 30, mas acabou sendo adiada por um pedido do JP Morgan. Aprovada ontem, a proposta ainda deverá ser homologada pelo juiz da Vara de Cajamar, responsável pela recuperação judicial do frigorífico.´

Fonte: Valor | Por Bárbara Pombo e Gerson Freitas Jr. | De São Paulo e Brasília

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