‘Abismo’ entre projeções para laranja

Mais de 70 milhões de caixas de 40,8 quilos. Eis a diferença entre a primeira estimativa da Conab e as projeções das indústrias de suco para a produção de laranja em São Paulo e no Triângulo Mineiro nesta safra 2013/14, cuja colheita começará a ganhar fôlego nas próximas semanas.

Divulgados ontem, os cálculos da Conab apontam uma produção comercial de 339,7 milhões de caixas, enquanto a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), que reúne as maiores empresas do segmento (Cutrale, Citrosuco /Citrovita e Louis Dreyfus Commodities), projeta 268,4 milhões.

O abismo aberto agora contrasta com a convergência que marcou as previsões para o ciclo anterior (2012/13). Enquanto a Conab trabalhou com um volume comercial de 390,4 milhões de caixas na região, a CitrusBR considerou 385,4 milhões.

A questão não é apenas numérica. Com a demanda internacional por suco de laranja retraída há mais de uma década, a cadeia citrícola brasileira tem convivido mais tempo com preços baixos do que elevados nesses anos. E uma previsão como a da Conab, se confirmada, significaria a terceira supersafra de laranja seguida, o que tende a limitar valorizações do suco no exterior.

Atualmente, as perdas provocadas pelo greening (doença bacteriana) na Flórida têm ajudado a sustentar as cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na bolsa de Nova York, mas o "fator Brasil" deverá começar a pesar mais do outro lado da balança. Ainda que Nova York seja apenas uma referência para as indústrias que exportam o produto brasileiro, já que o grosso dos embarques do país é destinado à Europa, os preços na bolsa são uma referência para o Velho Continente.

As estimativas apresentadas pela Conab são resultado de uma parceria entre a autarquia e a Secretaria da Agricultura de São Paulo, ao passo que as das indústrias são baseadas em suas próprias informações. Como as produtividades projetadas não diferem muito e giram em torno de 1,7 caixas de 40,8 quilos por planta, pelo menos parte da diferença pode ser explicada pelas estimativas de plantas em produção.

Na estimativa "oficial", constam 190,8 milhões de pés de laranja em produção apenas no Estado de São Paulo, ante os 162,1 milhões identificados pelas indústrias no Estado e no Triângulo Mineiro. Outra parte da diferença pode ser creditada ao "alcance" das projeções, uma vez que o conceito de "pomar comercial" das indústrias é mais restrito que o dos órgãos dos governos federal e paulista.

Mesmo assim, é de se esperar que essa diferença pelo menos diminua nos próximos levantamentos sobre o ciclo atual. Uma diferença do tamanho da atual desorienta a cadeia produtiva.

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Fonte: Valor | Por Fernando Lopes e Bettina Barros | De São Paulo

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