Abimaq pede a revitalização do Moderfrota

Fonte: Jornal do Comércio

MARCOS NAGELSTEIN/JC
Casale expôs proposta com três faixas de taxas de juros
Casale expôs proposta com três faixas de taxas de juros

Inativo há quase dois anos, o Moderfrota, programa do governo federal criado no ano 2000 que ajudou a alavancar a venda de máquinas agrícolas no Brasil, é considerado essencial para garantir a sobrevivência da indústria da máquinas agrícolas e ampliar a produtividade da agricultura nacional, por meio do uso de tecnologia. Ontem, na Expointer, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Celso Casale, expôs sua preocupação com o nível de mecanização nas propriedades brasileiras, e salientou a necessidade de o governo voltar a atuar com taxas diferenciadas de juros através do Moderfrota.

A proposta que será levada a Brasília é para que sejam criadas três faixas diferenciadas de juros contemplando, com taxas subsidiadas, pequenos, médios e grandes produtores rurais, com juros de 3% ao ano, 4,5% e 6,5%, respectivamente. Atualmente, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) é o que vem mantendo o financiamento do setor no Brasil, com taxas de 6,5% ao ano. No entanto, segundo Casale, é um programa voltado a todo o segmento industrial, sem um foco específico sobre as demandas do setor primário. O Moderfrota foi criado por lei, e garante ao produtor a possibilidade de renegociação em caso de quebra de safra, no PSI não há essa possibilidade, afirmou. Os financiamentos de máquinas agrícolas via PSI respondem, atualmente, por apenas 4% do volume total contratado equivalente a R$ 8 bilhões -, o que, na opinião de Casale, poderia ser equacionado no Moderfrota com juros mais acessíveis sem comprometer os cofres do governo.

O presidente da Câmara Setorial prevê um cenário nebuloso tanto para a indústria quanto para o agronegócio, caso o governo não trabalhe para baixar os custos de produção do setor no curto e médio prazos. O câmbio extremamente valorizado – com tendência de queda ainda maior do dólar, e um custo Brasil que penaliza o setor produtivo (no caso das fabricantes nacionais é superior em 43% ao custo de países como EUA e Alemanha), a indústria de máquinas agrícolas no Brasil também caminha para a desindustrialização. “Essa ameaça ainda não chegou ao setor, mas será irreversível se o câmbio se mantiver neste patamar, aliado ao custo Brasil. E, se a China decidir ampliar sua presença no País, certamente teremos problemas”, admitiu. Mesmo com as iniciativas do governo, anunciadas por meio do Plano Brasil Maior, o presidente da CSMIA chamou a atenção para a possibilidade de as fabricantes brasileiras transferirem sua produção de máquinas  para outros países para reduzir custos. Outro aspecto importante, de acordo com Casale, é que o Brasil só vai conseguir atingir sua meta de se tornar um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, se investir pesado em mecanização. “O setor precisa fazer investimentos nas fábricas e temos que conseguir condições de financiamento, caso contrário, não será possível aumentar a capacidade produtiva”, salientou.

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