Abilio ganha tempo no embate com os fundos na BRF

No jogo de poder da BRF, o empresário Abilio Diniz ganhou tempo sem fazer movimentos bruscos no tabuleiro. Previ e Petros decidiram esperar a reunião do conselho do dia 5 para ter maior clareza a respeito da postura do atual presidente do colegiado e só então divulgar seus planos para a empresa e os conselheiros que pretendem eleger. As fundações querem a destituição do conselho da BRF para encerrar a era Abilio na companhia.

Aguardada com ansiedade pelo mercado, a lista com os dez nomes não deverá ser divulgada antes de segunda-feira, de acordo com três fontes. Inicialmente, o objetivo era anunciar a lista nesta semana, como indicou em entrevista ao Valor no último domingo o diretor e chefe de renda variável da gestora britânica Aberdeen Standard, Peter Taylor. A gestora, que declarou estar "110%" com os fundos de pensão, detém cerca de 5% das ações da empresa.

"Acho que demora um pouco. A data da assembleia ainda precisa ser marcada", disse uma fonte. Outras duas pessoas envolvidas na articulação das fundações alegaram que não há, do ponto de vista delas, problemas na formação da chapa. "É calma. Calma não é um problema", disse uma das pessoas. "Está tudo sob controle", acrescentou outra fonte.

Um atento observador das articulações também mencionou o fator Abilio no timing dos fundos. "Acho inoportuno mostrar a chapa antes da reação do Abilio", afirmou. Na carta que divulgou segunda-feira, o empresário lamentou o modo como os fundos de pensão agiram, disse que todos os conselheiros da BRF são responsáveis pela situação da empresa, mas não deu detalhes do que fará. A leitura foi de que Abilio deixou as portas abertas, seja para negociar saída ou ir à guerra.

Nesse cenário, a postura de Abilio na reunião do dia 5 pode definir nomes de alguns dos convidados à chapa. Ao Valor, uma fonte chegou a afirmar, de forma genérica, que os "egos" eram uma pendência para divulgar a chapa com os nomes.

Em meio à expectativa com a reação de Abilio, já começam a aparecer dúvidas e críticas sobre o plano dos fundos de pensão. Embora muitos fundos de investimento estejam receptivos a apoiar o objetivo de afastar Abilio, a falta de conhecimento a respeito do projeto está gerando desconforto. "Só tirar o Abilio não é um plano", afirmou um gestor que apoia a iniciativa das fundações.

O silêncio de Abilio tem alimentados fortes rumores, inclusive nas fileiras dos adversários. Nos últimos dias, pelo menos quatro fontes disseram ter ouvido que o empresário está elevando sua posição na BRF, que é de algo próximo a 4%. Com as ações mais baratas devido à crise da empresa, Abilio poderia elevar seu poder para a votação.

Procurado pelo Valor, Abilio e a Península Participações, veículo de investimentos do empresário, fizeram questão de manter o mistério no ar e não comentaram se estão ou não aumentando a posição na BRF. A CVM exige imediata divulgação quando um acionista alcança 5% do capital de uma empresa – inclusive se for pela compra de direitos sobre ações ou instrumentos derivativos.

Ontem, as ações da BRF tiveram a maior alta do Ibovespa. Os papéis subiram 4,43%, a R$ 29,92. No mês, porém, a BRF teve a maior queda, de 15,3%. (Colaboraram Vanessa Adachi e Adriana Mattos, de São Paulo)

Por Luiz Henrique Mendes e Graziella Valenti | De São Paulo

Fonte : Valor

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