Abag: imagem do agro ainda precisa ser trabalhada

Fonte: Globo Rural

Especialistas debatem a necessidade de mudar a percepção do agronegócio pela sociedade

por Viviane Taguchi

Ernesto de Souza

Para Luiz Marcos Suplicy Hafers, presidente da Jamaica Agropecuária, a culpa pela falta de conhecimento sobre o agro é dos próprios produtores rurais

Mudar a imagem de "destruidor" do meio ambiente e esclarecer a população sobre a origem dos alimentos que são consumidos é uma das prioridades de todo o setor do agronegócio brasileiro. Falta de conhecimento, preconceito, mídia tendenciosa e falta de capacidade de comunicação dos produtores rurais são apontados como os principais dificultadores do entrosamento entre a população urbana e a rural. O tema foi um dos assuntos debatidos na tarde desta segunda-feira (8/8) durante a realização do 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado pelaAssociação Brasileira de Agribusiness (Abag), em São Paulo (SP).
"Em pesquisas realizadas com a população, percebemos que ainda há um desconhecimento muito grande. Há muitos equívocos", diz Bob Costa, sócio-diretor da Nova S/B, agência de publicidade que assina a campanha Sou Agro, lançada em julho passado e que visa a aproximar o dia a dia do agro da rotina das sociedades urbanas. Segundo ele, ainda é preciso esclarecer e diferenciar o que é o agro e a sua importância para a sociedade como um todo. "Muitas pessoas não sabem que o leite industrializado vem do campo", diz.
Para Luiz Marcos Suplicy Hafers, presidente da Jamaica Agropecuária, a culpa por esta falta de conhecimento sobre o agro é dos próprios produtores rurais, que nunca souberam se comunicar eficientemente com a sociedade urbana e mostrar os benefícios gerados no campo. "Nós não sabemos nos comunicar e isso gerou este problema grave de imagem", diz Hafers. Segundo ele, a mídia também se aproveita deste “defeito” dos fazendeiros brasileiros. "A mídia nos pressiona, e nós, produtores, não sabemos contar os nossos feitos, a produtividade que alcançamos e o respeito ao meio ambiente."

Informação

José Luiz Tejon Megido, diretor do núcleo de agronegócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM), diz que a falta de informação sobre o agro, porém, não atinge a classe C brasileira, público-alvo da agroindústria de alimentos, como um todo. "Eu me surpreendi com as respostas que obtivemos em pesquisas com esta classe social. Este pessoal tem sim um nível de conhecimento razoável do que é o agronegócio, mas acredito que ainda existe preconceito", diz ele. "O público gosta de histórias de sucesso, e o agro de hoje oferece histórias isso, diferentemente daquelas histórias de coronéis do passado. No entanto, ainda existem lembranças desta época".
A Basf, multinacional de defensivos agrícolas, representada no Congresso por Roberto Araújo, gerente de comunicação da empresa para a América Latina, também investiu na mudança de imagem do agro. A empresa produziu um vídeo, postado no site Youtube, e segundo Araújo, o resultado foi excelente. "Existiu uma interação positiva do público. A maioria das pessoas debate, discute e procura aprender e buscar mais informações. É claro que ainda existe aquela minoria que critica, mesmo não tendo conhecimento profundo do tema".

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *