Abacate cai no gosto dos consumidores e engorda exportação

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Processamento de abacate na Jaguacy, empresa que lidera as exportações

A mudança nos hábitos alimentares globais, marcada por uma procura crescente por alimentos saudáveis, tem pautado a expansão da produção e das exportações brasileiras de abacate. Nesse contexto, o sucesso mundial da fruta, que no Brasil ainda é muito associada ao consumo em vitaminas, tem sido facilitado pela proliferação de restaurantes mexicanos, movimento também visível no mercado doméstico.

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), as exportações do país passaram de 5,8 mil toneladas, em 2014, para 7,8 mil toneladas em 2017 – um crescimento de 34,9%. Nos primeiros oito meses de 2018, o volume embarcado já somou 7,1 mil toneladas.

Cerca de 76% dessas exportação são realizadas pela Jaguacy, empresa com sede em Bauru (SP) que lidera no país a produção do abacate do tipo Hass, conhecido popularmente como avocado. A fruta, de origem carliforniana, é a preferida no mercado internacional por suas qualidades, quando usado em receitas de pratos salgados, já que tem menos água em sua composição.

"Nos últimos anos, o brasileiro passou a entender melhor a variedade e gostou de colocar o abacate em pratos salgados. No mercado externo, a gente percebe o mesmo movimento", afirma Ligia Falanghe Carvalho, sócia-diretora da Jaguacy. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Abacate (ABPA), o consumo médio da fruta no país passou de 600 gramas por pessoa ao ano, em 2016, para 900 gramas atualmente.

O volume, porém, é muito menor que os 5 quilos anuais consumidos nos Estados Unidos e dos 8 quilos por pessoa observados no México, maior produtor e consumidor global da fruta. "O mundo come o abacate como alimento, mas nós ainda comemos como uma sobremesa", diz Jonas Octávio, presidente da ABPA.

O aumento de consumo, produção e exportação de abacates no Brasil acompanha uma tendência puxada pelo México e aprofundado pela China. Segundo dados da FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, o volume de exportação pelo México passou de 563,5 mil toneladas, em 2013, para 926,6 mil toneladas em 2016. E as importações chinesas cresceram 900,7% no mesmo período, para 42,5 mil toneladas.

A discrepância em relação aos números brasileiros reflete um velho problema do segmento no país: os entraves à exportação gerados pela falta de abertura de novos mercados. Ligia Falanghe destaca que praticamente toda a exportação brasileira hoje é destinada à Europa, e que o país está fora de mercados importantes como o americano e o chinês.

Ainda assim, a Jaguacy mantém um ritmo de expansão da produção de 200 hectares ao ano – a área saltou de 600 hectares para 1,2 mil hectares em três anos. A previsão, segundo a empresa, é atingir 1,5 mil hectares até 2019. "A gente espera que o mercado de abacate se desenvolva como um todo, até mesmo porque a própria Europa tem aumentado o consumo", diz Ligia.

Em todo o país, aponta o IBGE, houve aumento de 36,12% na área plantada com abacate desde 2014, para 13 mil hectares em 2017. A produção, por sua vez, apresentou crescimento de 35,92% no período e atingiu 213 mil toneladas no ano passado.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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