A veia política de um megaprodutor

Um dos 98 membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido como "Conselhão", instância do governo que recolhe ideias de empresários, pensadores e líderes sindicais e de movimentos sociais, Eraí Maggi é só elogios ao governo do presidente Michel Temer. "Ele está fazendo a lição direitinho. Não vai cair coisa nenhuma", afirma, na entrevista.

O empresário, hoje filiado ao PP, mesmo partido de seu primo, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, apoiou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) nas duas últimas eleições presidenciais, em 2010 e 2014. À época, Eraí era filiado ao PDT e destoou da maioria esmagadora da classe empresarial do agronegócio, de perfil mais conservador e representada principalmente por partidos de direita.

Na eleição para a Presidência da República em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) – que saiu derrotado – foi o candidato mais votado na maioria das regiões com tradição agropecuária, como no Sul, Centro-Oeste e São Paulo, à exceção de Minas Gerais.

Hoje, Eraí está do mesmo lado do agronegócio no campo político, num momento em que a bancada ruralista do Congresso goza de força suficiente para emplacar várias demandas na gestão Temer.

O empresário apoia também o programa de reformas de Temer, que inclui as reformas da Previdência, trabalhista e tributária. "O Brasil tem que passar por isso, é um remédio amargo, mas que tem que ser tomado", avalia.

Eraí Maggi evita falar sobre o futuro político de seu primo ministro, alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção quando governou Mato Grosso, entre 2003 e 2010. "O homem [Blairo] está trabalhando muito para abrir mercados, e é isso que precisa ser feito mesmo", destaca.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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