A tragédia de todo verão

ENCHENTES | Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo sofrem com a fúria das águas

A S CHUVAS VOLTARAM a castigar o País neste verão. Mais de 70 cidades estão em situação de emergência, em decorrência dos temporais que atingiram Minas Gerais desde o fim do ano. Na região metropolitana de Belo Horizonte, Mário Campos e Brumadinho estão debaixo d"água. Na Zona da Mata, a fúria das águas devastou diversos municípios. Em Guidoval, a ponte que divide a cidade desabou. Remédios e alimentos tiveram de ser transportados com cordas sobre o rio para quem ficou isolado na margem oposta.

De acordo com um balanço da Defesa Civil, desde outubro, as tempestades obrigaram mais de 10 mil habitantes a abandonar suas casas no estado. Ao menos oito pessoas morreram e uma mulher permanece desaparecida, após ter sido arrastada por uma enxurrada em Santo Antônio do Rio Abaixo. No Espírito Santo, as chuvas deixaram mais de 1,1mil habitantes desalojados, devido às inundações ou riscos de desabamento.

A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro anunciou, na quinta-feira 5, a liberação de uma verba emergencial de 350 mil reais para oito municípios do norte e noroeste fluminense vítimas de enchentes neste início do ano. No mesmo dia, em Campos dos Goytacazes, as águas do Rio Muriaé invadiram casas do bairro Três Vendas. Cerca de 4 mil pessoas devem deixar a região por causa da cheia, que provocou o rompimento de um dique e formou uma cratera de mais de 20 metros na rodovia BR-356, no trecho que liga Campos ao município de Itaperuna.

Em resposta aos desastres naturais, o governo federal publicou, na quinta 5, um decreto em que reabre uma linha de crédito de 482,8 milhões de reais para ações de prevenção e combate às enchentes. O dinheiro integra os 533,5 milhões de reais que haviam sido liberados no fim de 2011 por uma medida provisória. Como a verba não foi empenhadano ano passado,teve de ser reaberta por conta do novo exercício financeiro.

A estiagem castiga o Sul

O Sul do Brasil viu sua produção agrícola de milho e soja definhar com a seca que atinge a região nos últimos meses e que já prejudicou mais de 700 mil pessoas. No Rio Grande do Sul, a estimativa é que metade da produção de milho seja perdida por causa da falta de chuvas. No oeste de Santa Catarina, a quebra na colheita de milho é estimada em 20%. Algumas cidades já sofrem com um mês e meio sem chuva alguma, exatamente no momento mais crucial para o crescimento dos GRÃOS. Somados, os prejuízos na Região Sul já ultrapassam 2,5 bilhões de reais. A quebra na safra, divulgada na quinta-feira 5, registrada em toda a Região Sul do Brasil, pode aumentar caso a seca persista. A previsão é de que as chuvas continuem irregulares na região durante o verão. A causa principal, dizem meteorologistas, é o fenômeno climático La Niña.

Fonte: CARTA CAPITAL

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