“A semente é a base de tudo”

Narciso Barison Neto, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem)

Um dos debatedores do Fórum Nacional do Milho na Expodireto Cotrijal, o presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Narciso Barison Neto, reitera o papel da semente de qualidade na produção e observa que o alto investimento nunca será empecilho se garantir bom resultado na lavoura. Confira trechos da entrevista:
Zero Hora – Quais as principais diferenças no desenvolvimento de sementes na última década?
Narciso Barison Neto –
Nos últimos 70 anos, com a genética e, nos últimos 10, com a biotecnologia, há uma produtividade de 250 sacas por hectare no milho, 70 sacas na soja – 80 em alguns casos –, 50 sacas no feijão plantado em coxilha. Agora, precisamos mais pesquisa, biotecnologia. Veja o caso do milho. Em 2008 tínhamos zero e hoje chegamos a quase 70% da área cultivada com milho transgênico. A questão da segurança alimentar não cabe ao produtor, está a cargo da CTNBio, dos órgãos de saúde do governo. Nossa obrigação é produzir para o mercado.
ZH – Como a tecnologia tem ajudado em anos de seca?
Barison Neto –
Muito. A semente hoje tem várias frentes. A irrigação é uma delas. Mas há outras ferramentas. Aproveitar o potencial hídrico do solo. Quando fizemos correção de solo, plantio direto em uma área muito superior ou pouco inferior, cinco centímetros, quando a raiz vai buscar água nas camadas mais inferiores, em função da acidez, não consegue chegar lá. Hoje, usamos uma ferramenta chamada gesso, em que conseguimos aprofundar a raiz a mais de 20 centímetros, sem mexer com o solo. Essa é outra ferramenta. A saúde perfeita da planta. Se a planta tiver saúde, resistirá mais à seca.
ZH – Diante dos custos, por que investir em alta tecnologia?
Barison Neto –
A questão de custos se refere no resultado. Se o custo do meu investimento for compatível com a renda que a semente me aufere, com tranquilidade vou investir em semente. Eu citei o caso do milho. Ninguém reclama do preço porque tem retorno.
ZH – Dá para estimar o quanto a semente faz diferença?
Barison Neto –
Toda. A semente é o início e o fim da produção. A semente é o principal insumo da agricultura.
ZH – Qual o grande desafio para os produtores de sementes nos próximos anos?
Barison Neto –
É dar condições para o produtor produzir o máximo. Nosso desafio é inatingível, pois sempre queremos mais. Queremos dobrar, triplicar. A genética quer isso, as empresas querem isso, pois nosso compromisso é com o ser humano, com a população. Temos de alimentar a população do mundo.
ZH – Se fala muito em irrigação neste período devido à seca. O senhor acha que deveríamos falar mais em sementes?
Barison Neto –
Irrigação sem semente não adianta. Mas semente sem irrigação funciona. É uma ferramenta importante, não quero desfazer. O governo tem a principal empresa de agropecuária de clima temperado que é a Embrapa. O setor produtivo vai fazer isso. Mas precisamos que o governo faça políticas públicas. Hoje, as grandes empresas químicas estão investindo em semente, porque é a base de tudo. O agricultor sabe que o futuro dele depende da semente.

Fonte:  Zero Hora |

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