A safra, a estiagem e a falta de opções para o produtor gaúcho

Recentes levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aduzem que, em decorrência da severa estiagem que atingiu o Estado nesta safra e, por conseguinte, das perdas em diversas culturas suportadas pelos produtores rurais, a participação do Rio Grande do Sul na produção nacional de grãos atinja o percentual de 13,9%.
Além disso, pode-se perceber com o levantamento que, sem prejuízo de outros grãos, uma das culturas mais atingidas pela escassez de chuvas foi a soja, já que existe previsão de perdas que atingem 30% da produção inicialmente projetada no Estado, situação que acarretará em prejuízos imensuráveis aos (já combalidos) produtores rurais de várias regiões. Por falta de opção, muitos produtores optaram pelo plantio da soja em decorrência dos baixos valores do arroz no mercado, já que, ano após ano, vêm enfrentando, de forma cada vez mais intensa, as consequências da total imprevisibilidade climática que vem caracterizando o Estado, na medida em que as perdas decorrentes da falta ou do excesso de chuvas são cada vez mais frequentes.
Revela-se desnecessário referir as terríveis consequências sociais, políticas, e econômicas que os fatores climáticos – sem falar nos comerciais – acima referidos concretizam para o (rural) interior do Rio Grande do Sul, uma vez que tem sua economia fundada, predominantemente, na atividade agrícola, resultando em mais endividamento, menos renda, menos empregos, menos receita para o município, menos investimento social.
Muito embora a administração pública efetivamente esteja adotando medidas no sentido de minorar os efeitos da crise, cumpre referir que, cada vez mais, se revela urgente a adoção de ações – políticas, econômicas e jurídicas de médio e longo prazo – robustas, no sentido de fortalecer e dotar de segurança a atividade agrícola, uma vez que, caso contrário, inúmeras regiões serão cada vez menos produtoras, gerando, assim, cidades cada vez mais populosas, com mais desempregados, com mais problemas de alcoolismo, de drogadição, mais violentas, entre outros problemas tão conhecidos dos gaúchos e brasileiros.
*Advogado e assessor jurídico da Federarroz

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *