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A questão ambiental no Brasil e os efeitos no comércio exterior (Editorial)

Houve incremento dos desmatamentos e queimadas na Amazônia, que bateram recorde em junho, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e de órgãos ligados à Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa).

Mesmo que o Brasil tenha intensificado o combate aos delitos ambientais na maior floresta tropical do mundo, com seus 5,2 milhões de quilômetros quadrados, foi o suficiente para que ativistas ambientais da Europa aproveitassem para liderar uma nova rodada contra o acordo Mercosul/ União Europeia, com ataques às compras de produtos brasileiros.

No rastro, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou que apoia a tipificação do crime de ecocídio no Direito Internacional, aplicável aos líderes de países que destroem ecossistemas, em alusão ao Brasil.

A diplomacia brasileira precisa entrar em alerta diante de tais manobras, em prol de interesses políticos, econômicos e financeiros.

A situação exige uma harmonização de metas e agendas entre o governo, diplomacia e os setores produtivos e acadêmicos nacionais.

Cerca de 40 empresários brasileiros enviaram carta ao vice- -presidente Hamilton Mourão, que comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal, dizendo estar preocupados com a repercussão da imagem negativa do País no exterior. Mourão afirmou que a floresta não está pegando fogo e que os pontos que existem são de desmatamentos antigos, principalmente nas áreas do Cerrado.

Lembrou também o decreto que proibiu queimadas na Amazônia por 120 dias. O vice-presidente explicará ao Congresso Nacional o que o governo está fazendo no combate às queimadas.

Também foi prorrogada a atuação da Força Nacional, no apoio às Forças Armadas, para combater o desmatamento e crimes ambientais.

O projeto Adote Um Parque está sendo elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, propondo que empresas possam ajudar a manter cada uma das 132 unidades de conservação federais na Amazônia.

O valor de uma adoção foi fixado em € 10 por hectare.

Em troca, o patrocinador usa a iniciativa como marketing, mas não pode explorar a área. Pelo projeto, o recurso seria aplicado em ações de fiscalização, brigada de incêndio, entre outros.

Enquanto a Amazônia está na pauta, o número e a intensidade dos incêndios aumentaram na Sibéria e no Alasca. Mas é preciso estar atento por aqui, para cuidar do meio ambiente e não descuidar dos negócios com o exterior.

Fonte: Jornal do Comércio

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