A promessa que será quebrada na atual safra de trigo do RS

Depois de colher prejuízos no verão, produtor gaúcho poderá mudar de postura no ciclo de inverno

Diogo Zanatta / Especial
Depois de colheitas com problemas, climáticos ou de mercado, produção de trigo tem no atual ciclo condição diferenciadaDiogo Zanatta / Especial

Sucessivos resultados negativos do trigo no Rio Grande do Sul nas últimas safras, na colheita, comercialização ou em ambas, fizeram do cereal uma provação. Toda vez que o produtor apostava na cultura, algo dava errado, e as consequências pesavam no bolso – porque, do ponto de vista técnico, o benefício da cobertura do solo no inverno é reconhecido. Diante da rentabilidade perdida, produtores decidiram: “Nunca mais planto”.

Pois o ciclo deste ano fará com que a promessa seja quebrada. Os prejuízos com a produção de grãos no verão  fizeram o trigo voltar a ser uma opção. Soma-se a isso um mercado de cotações favoráveis, e o resultado é a projeção de aumento de área. Que varia de números mais contidos, na casa de 10%, até avanço de dois dígitos, superando a marca de 20%.

Nas Missões e na região de Santa Rosa, o plantio “está a todo vapor”, observa Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado:

– Pelas informações que temos de dirigentes de cooperativas e da venda de insumos, achamos que pode passar de 20% o aumento. Sobretudo nos locais não tradicionais de cultivo.

É a tal base de comparação, que serve também quando se olha o quadro geral do Estado. A última vez que a área do cereal passou de 1 milhão de hectares foi em 2014. De lá para cá, teve mais baixas do que altas. O tamanho reduzido evidencia o prejuízo que o produtor vinha colhendo. Para se ter uma ideia, a área cultivada no verão, somente com a soja, é de quase 6 milhões de hectares. André Cunha da Rosa, diretor e melhorista da Biotrigo Genética, avalia que um crescimento de cerca de 10% no espaço do trigo seria uma aposta moderada:

– Muita gente que tinha prometido não plantar mais está voltando. Estamos com um cenário visto poucas vezes.

O produto brasileiro ficou atrativo para a indústria nacional, em razão da variação cambial, outro fator que anima.

Coordenador da Câmara Setorial de Trigo da Secretaria da Agricultura, Tarcísio Minetto também fala em “momento interessante” da cultura e recomenda:

– Há vários tipos de trigo: para o mercado interno, externo, de duplo propósito. O produtor deve avaliar a característica do solo. Para ter uma resposta boa no campo.

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