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A grande horta de Porto Alegre

Área rural da Capital conta com produção de frutas, verduras, flores e zonas de mata nativa

Há mais de 15 anos, todos os sábados, pouco depois das 6h, a banca Essência da Terra é montada no bairro Tristeza, uma das oito feiras ecológicas oficiais de Porto Alegre.

Há oferta de batata, aipim in natura e descascado, tomate, temperos, couve, alface e outras folhosas, dependendo da época. Os alimentos são colhidos um dia antes no Sítio Nossa Senhora Aparecida, no bairro Extrema, na Zona Sul.

A rotina do agricultor do Idemar da Rocha Nunes de cuidar da terra, plantar e levar o alimento ao consumidor urbano se repete em outras cerca de 450 unidades de produção da Capital, segundo estimativa da prefeitura e da Emater.

E permite um intervalo curto de tempo entre a coleta e a chegada na mesa da população, resultando em um produto mais fresco e nutritivo, com menor custo e impacto logístico, por exemplo.

No município, há desde criação animal – como aves, ovinos e bovinos – até horticultura, fruticultura, floricultura, florestas e lavouras. "A atividade rural promove o desenvolvimento local do Extremo-Sul e das regiões onde se localiza", afirma Oscar Pellicioli, coordenador de Fomento de Atividades da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE).

Considerando apenas as frutas, Porto Alegre produz, anualmente, mais de 800 toneladas. Do total, um terço é vendido diretamente ao consumidor, detalha Pellicioli.

O restante é comercializado na Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa-RS) e em pequenos mercados. Uma pequena parte é destinada às agroindústrias familiares.

Apesar de importante para os bairros localizados ao Sul do município, a produção agrícola da Capital tem baixa representatividade no total comercializado pela Ceasa-RS, por onde passam 40% dos hortigranjeiros in natura distribuídos no Estado. Porto Alegre foi responsável por 1.113,39 toneladas, ocupando a 42ª posição entre os municípios fornecedores. Em faturamento, ocupou o 31º lugar, com R$ 3.377.148,10, em razão do maior valor dos itens vendidos, como frutas.

Os dados são de levantamento mais recente, realizado em 2018.

Claiton Colvelo, gerente técnico da Ceasa-RS, destaca a variedade de cultivos na Capital, a despeito do baixo volume. Entre os principais itens que saem da zona rural local estão pêssego e uva, onde a cidade colhe com mais antecedência do que no restante do Estado, além de ameixa, nectarina, melões e folhosas em geral.

Além de fornecedora de alimentos, a Região Metropolitana é o principal centro consumidor do Rio Grande do Sul, o que reforça a importância da atividade, observa o coordenador técnico no Rio Grande do Sul do Censo Agropecuário 2017, Cláudio Franco Sant"Anna: "É essencial ter a produção de hortifrutigranjeiros perto do consumidor, pois reduz custo de produção e preço de frete, além da questão social, por manter as pessoas no campo".

Fonte: Jornal do Comércio

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