A força do cooperativismo Agro em tempos de pandemia

2020 será marcado pela pandemia mundial do Coronavírus (Covid-19)
Serviços não essenciais estão paralisados e o trabalho home office tornou-se a saída para minimizar o colapso da economia. Nesse contexto, a importância do produtor rural e das cooperativas agropecuárias ganha ainda mais importância, visto que a produção de alimentos à população é primordial. O agronegócio brasileiro não parou e o cooperativismo agropecuário, em especial o mineiro, vem mostrando seu papel protagonista e sua missão fundamental: produzir alimento de qualidade para o Brasil e muitos outros países. As cooperativas agropecuárias viabilizam os negócios dos cooperados intermediando melhores condições junto ao mercado e também prestando serviços de assistência técnica, armazenagem e industrialização da produção, resultando em melhores condições de renda aos cooperados, produtos de qualidade e elevação no número de empregados diretos. Destaque para o crescimento de empregos de 8,5% nos últimos cinco anos gerados pelo setor cooperativo agropecuário mineiro, que compreende quase 16 mil pessoas diretamente, segundo anuário de Informações Econômicas e Sociais do Cooperativismo Mineiro 2019.Em todo o mundo, existem 1,2 milhão de cooperativas agropecuárias de acordo com o World Cooperative Monitor (2018). No Estado de Minas Gerais, são 190 cooperativas, que congregam os esforços de mais de 170 mil cooperados. A pujança do setor está refletida no PIB do agronegócio do Estado e responde por mais de 10% do total gerado em 2018. Café, leite, soja, milho, frutas, legumes, verduras, entre tantos outros itens, são produzidos com qualidade pelas cooperativas agropecuárias mineiras. Porém, em tempos de Covid-19, o desafio parece maior. Com o aumento de novos casos no mundo e no Brasil, observa-se desdobramentos diretos na produção de alimentos, com impactos na cadeia do agronegócio e na distribuição de alimentos, principalmente durante o pico de contaminações no país – previsto para os meses de abril a junho. Segundo levantamento realizado pela consultoria Cogo – Inteligência em Agronegócio para o Canal Rural, divulgado no dia 30, o Covid-19 pode beneficiar algumas culturas e impactar negativamente outras. A estimativa é de que a cadeia dos grãos não sofra tanto com a crise, visto que os estoques estão elevados e a colheita mundial foi acima do esperado, não havendo possibilidade de falta de alimentos. O desafio que se configura para o setor é a logística para escoamento da produção, a distribuição às plantas industriais e a exportação.

Como fica o cenário da produção de café em Minas?

O Estado de Minas Gerais é o maior produtor de café no Brasil, representando 53% da produção sendo que, desta, mais da metade passa por uma cooperativa no Estado segundo dados da Conab (2019). Os especialistas constataram fortes altas no mercado internacional do café nos últimos dias, resultado da alta do dólar, e da demanda de exportações principalmente pelos EUA. Mas a previsão é que o pico da pandemia do Covid-19 no Brasil ocorra entre os meses de abril a junho, justamente quando se inicia a colheita do café, motivo de preocupação para os produtores, considerando que a maior parte da colheita é realizada manualmente, com trabalhadores vindos inclusive de outros Estados. O problema atinge, em menor escala, o produtor familiar que, em grande parte, realiza a colheita sem a contratação de mão de obra, o que não acontece com os médios e grandes produtores, principalmente da região da Zona da Mata, que não realiza colheita mecanizada por questões topográficas.

O Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) aprovou, no último dia 13 de março, a proposta de distribuição dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para a safra 2020/2021 e, no dia 26, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o orçamento recorde de R$ 5,71 bilhões, um aumento de 12,5% em relação a 2019, com aumento de capital para as linhas de custeio e comercialização.

Preocupação entre as cooperativas do segmento lácteo

Com relação às cooperativas que atuam no setor lácteo, a atenção deve ser redobrada pelo alto grau de perecividade dos produtos. Caso não recebam os devidos cuidados, as cooperativas podem sofrer perdas. A captação e a distribuição ainda não foram afetadas e o setor ainda não sente grandes impactos da atual crise. A consultoria Cogo afirma que a disputa entre as indústrias lácteas vem sustentando as cotações ao produtor em altos patamares durante o trimestre. A previsão é de uma nova elevação nos preços pagos ao produtor em decorrência dessa disputa. Contudo, os derivados como iogurtes e queijos devem sofrer retração no consumo devido ao isolamento social das pessoas e a estimativa é de perda de empregos.

Um levantamento feito pelo Sistema Ocemg junto às cooperativas do setor leiteiro em Minas Gerais, identificou que muitas cooperativas estão redirecionando o leite captado para a produção de leite UHT e leite em pó. As grandes indústrias lácteas são responsáveis, em sua maioria, pela captação do leite dos grandes produtores e registram um volume maior. Porém, são as cooperativas que, na maioria dos casos, atendem a um maior número de produtores, garantindo o escoamento de sua produção e a continuidade e sobrevivência de seu negócio. Vale destacar que Minas Gerais é o Estado que mais produz leite no Brasil. Dados do IBGE apontam que o volume de leite adquirido em Minas em 2019 superou 6,25 bilhões de litros, representando 25% da captação de leite no Brasil. De cada 10 litros de leite captados no país, 2,5 litros foram produzidos em território mineiro. O Estado possui 91 cooperativas que trabalham com o leite, seja na captação, industrialização ou venda do produto e seus derivados.

Análise sobre o cenário para a produção de grãos, frutas, legumes e verduras

safra de milho, embora amargue uma retração de 20,6% na comparação com 2019, segundo especialistas, não há relação com o Covid-19 e sim com a redução de estoques e menor oferta prevista para 2020. Entretanto, o preço do milho segue em alta segundo indicador Esalq/BM&F, com incremento de 15,1% nos últimos 30 dias. A tendência é de retração do produto, visto que a perspectiva é de que os valores continuem avançando nas próximas semanas. Em relação às frutas, legumes e verduras, devido às recomendações de isolamento social, o segmento vem enfrentando uma demanda reduzida, tanto no varejo quanto nas áreas produtoras. Essa queda na demanda se dá pela diminuição do giro de vendas por conta do isolamento social. O problema de logística também é evidenciado. A expectativa é que os produtos mais perecíveis devem sofrer com a queda no consumo, pois os consumidores estão priorizando alimentos de maior durabilidade e industrializados.

Em relação a soja, os pesquisadores ressaltam que, embora os preços na Bolsa de Chicago (CBOT) tenham recuado, os valores em reais seguem em alta devido à forte valorização do dólar. As exportações do grão estão estimadas em 13 milhões de toneladas, o que representaria, se confirmado, um incremento de 154% sobre fevereiro de 2019. A expectativa é de que a pandemia da COVID-19 não gere retração na demanda e que a China volte a comprar do Brasil.

As cooperativas da agricultura familiar são importantes agentes na manutenção da segurança alimentar de estudantes de escolas públicas, de hospitais e de famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social, através do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Muitos produtores estão enfrentando dificuldades para escoar a produção de frutas e hortaliças nesse período de isolamento social e fechamento das escolas. Segundo informações divulgadas pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), o setor é um dos mais atingidos pela crise da Covid-19, uma vez que escolas, restaurantes, bares e feiras livres estão fechados ou reduziram significativamente a demanda. Essa situação está fazendo com que muitos produtores tenham que descartar toda a produção. Para minimizar os impactos no setor, a CNA está pleiteando, junto ao Governo Federal, a ampliação das compras governamentais de alimentos, assim como a ampliação da r

ede de fornecedores às grandes redes de varejo e buscando alternativas para venda online dos produtos pelas cooperativas e produtores rurais.

No último dia 30 de março, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei n. 786/2020, que garante, em caráter excepcional, durante a suspensão das aulas, a distribuição de alimentos para os alunos beneficiados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em situações de emergência e calamidade pública. A medida beneficiaria os estudantes, seus familiares e auxiliaria os produtores e cooperativas da agricultura familiar, que estão com a renda comprometida devido a atua crise.

Medidas adotadas para garantir a produção e amenizar as perdas no agronegócio

Em tempos de pandemia, a força do agronegócio brasileiro está garantindo o funcionamento da cadeia de abastecimento (produção, logística, indústria e varejo), com a adoção de novas medidas de segurança para produtores, transportadores, empregados e população em geral. Para amenizar os impactos da crise e auxiliar àqueles que colocam comida na mesa de milhões de pessoas, os governos Federal e Estadual anunciaram uma série de medidas voltadas ao agronegócio. No dia 26 de março, o Ministério da AgriculturaPecuária e Abastecimento (Mapa) publicou a portaria nº 116, que dispõe sobre os serviços, as atividades e os produtos considerados essenciais para o pleno funcionamento das cadeias produtivas de alimentos e bebidas, assegurando o abastecimento e a segurança alimentar da população brasileira enquanto perdurar o estado atual de calamidade pública. Outra medida importante divulgada pelo Mapa, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF), prorrogou por seis meses o prazo de validade das Declarações de Aptidão ao Pronaf (DAPs), que vencem entre os dias 25 de março a 31 de dezembro de 2020. A iniciativa proporciona ao agricultor familiar acesso às políticas públicas para manter a produção e distribuição durante o período de pandemia.

A articulação com os setores logísticos nesse momento é importante, bem como com os distribuidores para que as operações não sejam paralisadas e as cooperativas agropecuárias mineiras não sofram ainda mais com a crise do Covid-19. Nesse sentido, uma estratégia é adotar práticas de intercooperação, por meio de parcerias com cooperativas de outros ramos como transporte, consumo ou crédito, por exemplo, para garantir a continuidade das atividades. As cooperativas agropecuárias precisam estar atentas às oportunidades mesmo nesse cenário de crise, e em contato com os órgãos públicos encarregados de executar políticas sociais nos municípios e no Estado. O Sistema Ocemg acompanha as necessidades das cooperativas agropecuárias mineiras e monitora as decisões relacionadas ao agronegócio de forma a garantir a defesa do segmento e a sustentabilidade do negócio cooperativo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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